“Vamos avançar para a próxima etapa” da privatização da TAP, garante CEO da Lufthansa. Guerra não abala interesse

O CEO da Lufthansa garantiu que, apesar do impacto do conflito no Médio Oriente, o grupo irá continuar na corrida à privatização. "A nossa orientação estratégica e prioridades já estão definidas".

O impacto da crise no Médio Oriente não abala o interesse da Lufthansa na privatização da TAP, garantiu esta quinta-feira o CEO do grupo, que aludiu ao potencial da relação entre Portugal e a Alemanha deixado no encontro entre o primeiro-ministro português e o chanceler alemão esta terça-feira.

Já manifestámos o nosso interesse através de uma proposta não vinculativa e iremos avançar para a próxima etapa. Fomos convidados a apresentar uma proposta vinculativa e aguardamos com expectativa a fase seguinte e os próximos passos que temos pela frente”, afirmou Carsten Spohr em resposta a uma questão do ECO.

“O nosso interesse na TAP não se alterou”, disse também o CEO da Lufthansa, salientando o racional estratégico da operação. O gestor referiu que os “mercados do hemisfério sul estão a ganhar importância” para o grupo, que enfrentará maior concorrência a nível global quando as companhias do Golfo Pérsico voltarem a disponibilizar capacidade, tornando a situação competitiva no sudoeste asiático mais difícil.

No que diz respeito à América do Sul, acreditamos que ficaríamos numa posição ideal com a TAP. Em termos de mercado, somos o menor dos grupos europeus na América do Sul, mas com a TAP estaríamos ao nível dos restantes. E o negócio na América do Sul é muito atrativo, em particular no Brasil”, sublinhou.

Ainda ontem, o nosso chanceler federal, o chanceler alemão, teve uma reunião com o seu homólogo e abordou o potencial da relação entre Portugal e a Alemanha.

Carsten Spohr

CEO do grupo Lufthansa

Carsten Sphor não esqueceu a visita de Luís Montenegro a Berlim na terça-feira, onde esteve reunido com Friedrich Merz: “Ainda ontem, o nosso chanceler federal, o chanceler alemão, teve uma reunião com o seu homólogo e abordou o potencial da relação entre Portugal e a Alemanha”.

“No que diz respeito a Portugal no setor da aviação, não estamos a olhar apenas para a TAP, estamos também prestes a abrir uma fábrica de componentes da Lufthansa Technik no país. Estamos ainda a procurar um local para outra escola de aviação, pelo que Portugal é um parceiro potencial muito relevante”, disse ainda o CEO. “A crise não durará para sempre. E a nossa orientação estratégica e prioridades já estão definidas”, assegurou.

Subida do preço do jet fuel agrava fatura com combustível em 1,7 mil milhões

O grupo Lufthansa fechou o primeiro trimestre com prejuízos de 665 milhões, menos 25% do que no mesmo período do ano passado. As receitas subiram 8% para 8.746 milhões de euros, um novo recorde para este período, suportadas no crescimento de 5% na venda de passagens aéreas.

O CEO demonstrou preocupação com o contexto global marcado pelo conflito que opõe os EUA e Israel ao Irão. “A crise em curso no Médio Oriente, combinada com o aumento dos custos do combustível e as restrições operacionais, coloca enormes desafios para o mundo no seu conjunto, para o transporte aéreo global e também para a nossa empresa”, reconheceu.

“Ainda assim, temos capacidade de resistência para absorver estes impactos. Isto aplica-se tanto à nossa cobertura acima da média contra as flutuações do preço do combustível como à nossa estratégia multi-hub e multi-companhia aérea, que nos proporciona maior flexibilidade na gestão da rede de rotas e no desenvolvimento da frota”, acrescentou Carsten Spohr.

O grupo espera que a subida dos preços do jet fuel representem um custo adicional de 1,7 mil milhões este ano, apesar de ter um nível de cobertura para o risco de aumento da cotação de 80%. Para já, não há falta de combustível nos vários hubs que opera, mas alerta que “uma potencial redução da disponibilidade de jet fuel mais para o final do ano representa um fator de risco adicional”. A Luftansa mantém a previsão de um aumento do resultado operacional em 2026 face aos 1,96 mil milhões conseguidos o ano passado.

A Lufthansa entregou a 2 de abril uma proposta não vinculativa na privatização de 49,9% do capital da TAP, dos quais 5% são destinados prioritariamente aos trabalhadores. A companhia aérea alemã foi convidada pela Parpública a avançar com uma proposta vinculativa, tal como a Air France-KLM. O grupo IAG, dono da Iberia ou British Airways, decidiu ficar fora da corrida.

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