“Estamos a construir as redes que conseguimos pagar”
Líderes das empresas de torres de telecomunicações entendem que a infraestrutura é resiliente e que o foco na próxima fase do 5G deve estar no reforço da capacidade e cobertura dentro de edifícios.

As empresas que detêm torres de telecomunicações estão a entrar numa nova fase de crescimento. Numa altura em que os planos de investimento das operadoras na instalação de cobertura 5G se aproximam do fim, as concorrentes Cellnex e a Vantage Towers acreditam que o foco deve estar na “capacidade” e “densificação”.
Reconhecendo que o ano de 2025 foi “de expansão”, mas “a um ritmo menos acelerado do que em anos anteriores”, o CEO da Cellnex, João Osório Mora, questionado sobre a resiliência das infraestruturas, respondeu: “Estamos a construir as redes que conseguimos pagar.”
O líder da Cellnex reconheceu, contudo, que existem outros desafios, como melhorar a cobertura de rede móvel dentro dos edifícios: “O indoor é um tema que nos esquecemos. Planeamentos uma rede móvel para o exterior, mas cerca de 70% da utilização é indoor, em casa, no escritório, e é nesses locais que a rede chega com mais dificuldade”, afirmou o gestor, falando num painel sobre infraestruturas digitais inserido no congresso anual da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC).
O responsável lembrou que “as previsões das várias instituições apontam para uma duplicação da quantidade de dados das redes móveis até 2030”, pelo que também “não basta ter cobertura”: “Temos de ter capacidade e resiliência e infraestruturas que acompanhem” o fenómeno, reiterou, lembrando que, nesta fase, 94% da população e 89% do território já estão cobertos pela quinta geração móvel.
Outro desafio é a disponibilização de energia aos equipamentos existentes nos sites (vulgo, antenas): “Temos centenas de clientes a quererem instalar estações nos nossos sites e estão pendentes porque não há energia”, revelou.

No mesmo painel, Paolo Favaro, CEO da Vantage Towers, afirmou que “o mercado continua a crescer” e que se assinala um “crescimento muito forte”, à boleia da expansão do 5G e do maior consumo de dados. No entanto, o responsável assinalou que as empresas deste setor entram agora num novo ciclo.
“Estamos numa fase certamente mais madura, como é expectável, e numa fase na qual estamos a olhar para as próximas vertentes de crescimento. Se a principal até agora tem sido a cobertura macro, nesta fase estamos a virar-nos para a vertente da qualidade, da capacidade e de muito mais utilização do que está instalado.”
Também questionado sobre a resiliência, à luz de fenómenos como o apagão e as tempestades do início deste ano, Paolo Favaro disse que “historicamente, as redes sempre tiveram um mínimo de resiliência”. Porém, “durante um período de tempo prolongado, durante o qual a rede elétrica não funciona, as redes não podem aguentar”, rematou.
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