IA vai ajudar a comprovar que casas do PRR estão concluídas
“Está em teste, neste momento, a utilização de inteligência artificial para validação de documentos”, revelou ao ECO, João Pereira, diretor de Sistemas de Informação da Recuperar Portugal.
A estrutura de missão Recuperar Portugal vai usar inteligência artificial para validar documentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Com o objetivo de ajudar a acelerar a comprovar o cumprimento das metas e marcos no âmbito da construção e reabilitação de casas, a entidade liderada por Fernando Alfaiate, vai recorrer à inteligência artificial, tal como o fez para ajudar a analisar as candidaturas no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC).
“Está em teste, neste momento, a utilização de inteligência artificial para validação de documentos”, revelou ao ECO, João Pereira. O diretor de Sistemas de Informação da Recuperar Portugal admite que “gostaria de evoluir para os pedidos de pagamento, mas, neste momento, a preocupação é para a confirmação de evidências”.
Esta vai ser “a prioridade até ao final do mês” e estará centrada nos concursos que “exigem maior esforço”, porque é sempre necessário treinar os modelos de IA, para garantir “sucesso a 100% na análise”.
“E não substitui o técnico”, garante. “No final, o técnico tem, na mesma, que validar. O que vai acontecer é que vai ter um output de análise com o modelo que será treinado.”
O maior esforço será concentrado nos concursos onde há muita documentação e evidências a terem de ser entregues, como por exemplo no caso dos avisos cujo beneficiário intermediário é o IHRU. Ou seja, “tudo o que seja comprovar a conclusão das casas. Essencialmente a reabilitação e construção”.
“Vamo-nos concentrar inicialmente aí, mas o objetivo é ir depois para outros investimentos que tenham, por exemplo, informação standardizada ao nível de certificados energéticos”, acrescentou.
Recorde-se que no PRR há dez mil casas prometidas a custos acessíveis financiadas pela bazuca europeia. Mas, na sequência do comboio de tempestades, que assolou sobretudo o centro do país, o Governo entregou em Bruxelas, no último dia de março, um novo exercício de reprogramação que voltou a alterar esta meta.
Das 10.199 habitações, só 5.199 apresentam condições para entregar o auto de receção da obra até 31 de agosto, reconhece o Executivo. Cinco mil apresentam condições apenas para uma “conclusão substancial”, por isso a meta vai ser redefinida e “ajustada em baixa, tendo sido proposta uma redução na respetiva dotação em cerca de 40,5 milhões de euros”, para os quais vai ser necessário encontrar uma nova fonte de financiamento, como explica o documento da Adenda/Revisão PRR.
Avisos do Banco de Fomento aceleram com IA
Não é a primeira vez a Recuperar Portugal usa IA, para ajudar a avaliar as milhares de candidaturas do IFIC, do Banco de Fomento, seja para IA, como para defesa e reindustrialização. Na análise de mérito das mais de quatro mil candidaturas da IA, houve recurso a uma ferramenta implementada no SIGA – a plataforma para gestão do ciclo de vida de uma candidatura e projeto que a Recuperar Portugal desenvolveu para os beneficiários PRR, explicou João Pereira.
“Ou seja, a candidatura é submetida no SIGA, através da API (um sistema técnico, uma ferramenta de IA) que devolve, com uma matriz de risco que treinámos o modelo, a dizer de 1 a 5 qual é a escala. Isto automaticamente posiciona uma pontuação daquela candidatura para a aprovação”, acrescenta.
Apesar de ter sido usado em todos os avisos do IFIC, João Pereira destaca o da IA devido ao “esforço envolvido” e porque “uma análise que demorava uma hora e meia passou a demorar cinco minutos”.
Outro dos exemplos de utilização da inteligência artificial é no “cross-check do duplo financiamento” através da plataforma FindUp, na qual a Recuperar Portugal foi pioneira a nível europeu.
“Desenvolvemos uma ferramenta que cruza o objeto de financiamento em diferentes candidaturas e projetos. O objetivo é despistar duplo financiamento, mas identifica com uma matriz se há risco reduzido, médio ou elevado de estarmos na presença de duplo financiamento”, explica João Pereira, avançando que já houve casos em que foi necessário pedir mais informação para garantir que não houve duplo financiamento.
E quando é necessário despistar a potencial existência de duplo financiamento é necessário ir “às entidades competentes solicitar todo o tipo de informação: desde faturas, contratos, etc”.
“Dentro do PRR temos essa informação, mas há informação que é agregada, por exemplo, na Agência para o Desenvolvimento e Coesão, tudo o que vem dos quadros comunitários que têm de reportar à coesão, ou no IFAP, porque este reporta tudo o que é quadros da agricultura. Tivemos casos em que foi necessário conversar com o MAI, porque tem o fundo de asilo e de migração, ou até casos em que vamos buscar também informação a bases de dados europeias”, remata.
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