Portral paga 11,5 milhões para ‘resgatar’ Sicasal da falência
Sicasal não escapa à insolvência, mas a atividade e trabalhadores serão transferidos para a Portral, que vai pagar 11,5 milhões pelos bens da histórica empresa do setor das carnes.
A histórica Sicasal não vai escapar à insolvência, mas o negócio e os trabalhadores vão ser ‘resgatados’ pela rival do setor das carnes Portral, que vai pagar 11,5 milhões de euros pela maioria dos bens da empresa falida.
O plano ainda tem de ser aprovado pelos credores, mas o administrador de insolvência Jorge Calvete acredita que é a melhor opção para todos em relação a um cenário de liquidação desordenada. A Sicasal avançou para a insolvência no início do ano com dívidas de 46 milhões de euros junto de mais de 400 credores.
O negócio com a Portral vai permitir recuperar cerca de 25% dos créditos reclamados, mas mais do que isso: vai assegurar a continuidade das operações da histórica empresa de charcutaria e derivados de carne processada de Mafra e cerca de duas centenas de postos de trabalho.
Entre os principais credores estão os bancos BCP (que requereu a insolvência da Sicasal por incumprimento dos créditos), Caixa Geral de Depósitos (CGD), Novobanco e Abanca que, ao todo, reclamam perto de 18 milhões de euros. Só deverão recuperar cerca de 4,3 milhões no âmbito deste plano, muito mais dos 1,8 milhões que poderiam recuperar no cenário alternativo.
No âmbito deste plano, a Portral, também da indústria das carnes e um dos principais clientes da Sicasal, vai criar um veículo (SPV) para onde a maioria dos bens serão transferidos, assim como os contratos dos trabalhadores que ainda permanecerem na empresa.
Entre os bens a serem trespassados para o SPV está o Complexo Industrial de Gradial, avaliado em cerca de 9 milhões de euros, os armazéns da Maia (750 mil) e de Portimão (450 mil) e ainda um terreno em Casal de Marvão (700 mil euros). A lista conta ainda com inventário avaliado em cerca de 200 mil euros.
“A empresa como um todo, o respetivo estabelecimento comercial e os bens compreendidos no trespasse, individualmente considerados, serão transmitidos livres de ónus, encargos e passivos“, salienta o administrador de insolvência.
De fora do âmbito do trespasse ficam a Antiga Fábrica e um apartamento em Loures, que vão ser leiloados, com o dinheiro a ir para a massa insolvente.
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