Sérvia atribui construção de autoestrada a empresa chinesa por ajuste direto
O início da construção da nova autoestrada de 96 km está previsto para julho. Presidente sérvio considera o contrato, por ajuste direto, como uma prova da "amizade de aço" com a China.
A Sérvia e uma empresa estatal chinesa assinaram esta quinta-feira um contrato de 1.300 milhões de euros para a construção de uma autoestrada no país, adjudicada sem concurso público ao abrigo de um acordo bilateral.
O acordo foi subscrito em Belgrado pela ministra dos Transportes e Infraestruturas sérvia, Aleksandra Sofronijevic, e por um representante do grupo Shandong Hi-Speed, na presença do Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, noticiou a televisão estatal RTS.
O início da construção da nova autoestrada de 96 quilómetros está previsto para julho e deverá demorar três anos, de acordo com a agência espanhola EFE. Vucic disse que até 2014, quando assumiu o poder pela primeira vez, a Sérvia dispunha de apenas 596 quilómetros de autoestradas.
Desde então, referiu, foram concluídos 622 quilómetros adicionais e 380 quilómetros encontram-se atualmente em construção. “A empresa chinesa assumiu o pré-financiamento e estamos muito gratos por isso”, afirmou Vucic, que considerou o contrato agora assinado como uma parte da “amizade de aço” entre a Sérvia e a China.
A cooperação bilateral em matéria de infraestruturas foi formalizada em 2009, através de um acordo-quadro. O Centro de Análise de Políticas Europeias (CEPA), com sede em Washington, calcula o valor total dos projetos sino-sérvios em cerca de 7.000 milhões de euros. Nenhum dos contratos foi submetido a concurso público, o que significa que os projetos ligados à China contornam, na prática, a Lei da Contratação Pública, amparando-se no acordo de 2009, segundo a EFE.
Ao longo da última década, a Sérvia, candidata à União Europeia (UE), registou um forte crescimento do investimento chinês, sendo a China um dos cinco maiores investidores estrangeiros no país balcânico, de acordo com a agência France-Presse (AFP). Apesar das aspirações europeias, a Sérvia mantém laços estreitos com a China e com a Rússia, o aliado histórico de Belgrado.
Pequim continua a injetar milhares de milhões de euros nos Balcãs para expandir a influência económica chinesa na Europa Central. Bruxelas já manifestou preocupação face à falta de transparência em vários projetos liderados pela China, especialmente sobre o cumprimento das normas ambientais e dos padrões da UE.
Entre os principais projetos executados ou financiados por empresas chinesas na Sérvia figuram a linha ferroviária Belgrado-Budapeste, uma linha do metro da capital, redes de saneamento e diversas vias rápidas. No conjunto destas obras incluiu-se também a renovação da estação ferroviária de Novi Sad, a norte de Belgrado.
Em novembro de 2024, o colapso de uma pala na estação de Novi Sad causou a morte de 16 pessoas e desencadeou uma vaga de protestos contra a corrupção no país. A Sérvia considera a China um parceiro estratégico fundamental, uma vez que Pequim não reconhece a independência do Kosovo, ex-província sérvia de maioria albanesa que declarou a independência em 2008.
Em contrapartida, Belgrado apoia a posição oficial chinesa de que Taiwan faz parte da República Popular da China e nunca poderá tornar-se independente.
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