Tempestades e custos da energia afundam lucro da Navigator para 17,2 milhões no arranque do ano

"Danos severos" causados pelo comboio de tempestades criou constrangimentos logísticos com forte impacto nos volumes e no custo do abastecimento de madeira às fábricas. Vendas caíram para 427 milhões.

A Navigator fechou o primeiro trimestre do ano com um resultado líquido de 17,2 milhões de euros, o que representa uma quebra de 64% face aos 48,3 milhões reportados nos primeiros três meses de 2025, reportou a empresa em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). As perturbações causadas pelos “danos severos” provocados pelo comboio de tempestades que varreu o país, em particular nas unidades da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão, e os maiores custos da energia pressionaram os resultados no arranque do ano.

As vendas baixaram para 427 milhões de euros, uma quebra de 19% face aos 529 milhões registados no período homólogo. Já o EBITDA atingiu 65 milhões de euros (115,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025), com uma margem EBITDA de 15,2%.

“Os eventos climáticos extremos provocaram danos severos sobretudo na região centro do país, causando perturbações nas operações da Navigator, nomeadamente nas unidades da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão“, justifica a empresa, na nota de apresentação dos resultados.

A papeleira explica que “as interrupções externas de energia e água, bem como as dificuldades no abastecimento de madeira devido à destruição de vastas áreas florestais, associada à forte precipitação, limitaram as operações florestais, agravaram os constrangimentos logísticos com forte impacto nos volumes e no custo do abastecimento de madeira às fábricas”.

Estes fatores disruptivos, associados a níveis iniciais de stock mais baixos no arranque do ano, condicionaram o desempenho do trimestre“, acrescenta.

A juntar ao comboio de tempestades dentro de fronteiras, a empresa refere ainda que “esta instabilidade fez com que o trimestre fosse ainda impactado pelo aumento do consumo de energia fóssil, em particular gás natural, com efeitos nos custos e na necessidade acrescida de aquisição de licenças de CO₂

As vendas de pasta recuaram 33% face ao período homólogo, pressionadas “pela baixa disponibilidade de pasta para mercado nos primeiros dois meses do ano por limitações operacionais e logísticas, bem como pela necessidade de constituição de stock para assegurar a produção de papel durante a paragem anual de uma das fábricas de pasta programada para a primeira metade do 2.º trimestre”, explica a empresa.

Já o volume de negócios do segmento de Pasta (inclui Energia) caiu 33% face ao período homólogo, resultado da quebra de preços de pasta e da redução de venda de energia, devido à transição para autoconsumo das cogerações renováveis.

No segmento tissue, o volume de vendas (produto acabado e bobines) atingiu 53 mil toneladas, menos 13% que no primeiro trimestre de 2025, enquanto o volume de negócios baixou 19%.

As vendas internacionais representaram 81% do volume total (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK). Os mercados mais representativos foram o espanhol, com 33% do total de vendas, o inglês (31%) e o francês (15%).

“As operações em Espanha e no Reino Unido permitem equilibrar o mix geográfico, oferecendo mais resiliência ao negócio, que se foca essencialmente em produto acabado, o qual representou 99% das vendas totais, sendo as bobines 1%”, detalha a Navigator.

No packaging, a Navigator destaca “uma dinâmica muito positiva, evidenciando um bom arranque de ano e afirmando-se como um dos principais motores de crescimento” do negócio.

No volume de vendas em toneladas verificou-se um aumento de 16% face ao 4.º trimestre de 2025 e de 36% em comparação com o período homólogo”, realça o comunicado, adiantando que as vendas totais cresceram 23% face ao período homólogo, com 73% das vendas na Europa e os restantes 27% ocorrem em mercados externos.

Investimento supera 40 milhões

A empresa destaca a “continuidade do ciclo de investimento orientado para a modernização industrial, a eficiência e a descarbonização”, com um volume de investimento de 42 milhões de euros, dos quais cerca de 53% foram direcionados para projetos ambientais ou de cariz sustentável com foco na redução de custos futuros.

No que diz respeito aos projetos financiados com fundos do Plano de Recuperação e Resiliência, a companhia informa que a execução dos investimentos está dentro dos prazos e dos custos definidos, tendo a Navigator já recebido cerca de 84 milhões de euros em incentivos.

Já o endividamento líquido baixou 28 milhões de euros face a dezembro, para 675,4 milhões de euros, mantendo um rácio Dívida Líquida/EBITDA de 2,08x e 414 milhões de euros em linhas de financiamento disponíveis.

Perspetiva “positiva e prudente” para 2026

Olhando para 2026, a Navigator antecipa que o ano “deverá continuar a ser marcado por volatilidade nos mercados internacionais e influenciado pela evolução do contexto geopolítico e por potenciais constrangimentos na cadeia logística global“. Ainda assim, destaca, “os indicadores mais recentes sugerem uma melhoria gradual das condições de mercado, em particular no segmento da pasta, onde se observa uma recuperação progressiva dos preços e sinais de maior equilíbrio entre oferta e procura”.

Uma evolução que, “conjugada com a disciplina operacional da empresa, deverá criar condições para uma melhoria gradual do desempenho ao longo do ano”.

“No conjunto, a Navigator mantém uma perspetiva positiva e prudente para 2026, assente na recuperação gradual dos mercados, na disciplina operacional e financeira e na execução consistente da sua estratégia de diversificação e inovação”, remata a empresa.

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