Trump dá até 4 de julho para UE cumprir acordo comercial. Caso contrário aumenta tarifas

Após uma "excelente" conversa telefónica com von der Leyen, o presidente dos EUA deu um ultimato para o cumprimento do acordo. Se a UE falhar promete aumentar as tarifas para níveis "muito elevados".

O Presidente dos Estados Unidos anunciou, esta quinta-feira, na sua rede social que deu até ao próximo dia 4 de julho para a União Europeia (UE) cumprir a sua parte do acordo comercial. Caso contrário, irá aumentar as tarifas para níveis “muito elevados”. Isto, após ter conversado com a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

Tenho esperado pacientemente que a UE cumpra a sua parte do histórico acordo comercial que celebrámos em Turnberry, na Escócia, o maior acordo comercial de sempre! Foi feita a promessa de que a UE cumpriria a sua parte do acordo e, conforme o acordo, reduziria as suas tarifas a zero! Concordei em dar-lhe um prazo até ao 250.º aniversário do nosso país ou, infelizmente, as suas tarifas subiriam imediatamente para níveis muito mais elevados”, lê-se na sua publicação na Truth Social.

Também Ursula von der Leyen recorreu à rede social X para abordar a conversa “muito positiva” com Trump, sublinhando que entre os assuntos em discussão esteve a situação no Médio Oriente e a estreita coordenação com os parceiros regionais.

“Discutimos também o acordo comercial UE-EUA. Continuamos totalmente empenhados, de ambos os lados, na sua implementação. Estão a ser feitos bons progressos no sentido da redução das tarifas até ao início de julho”, lê-se ma publicação.

No fim de semana, Trump tinha ameaçado aumentar, esta semana, as tarifas para 25% sobre os automóveis e camiões da União Europeia que entrem nos EUA uma vez que a Europa não estava a cumprir a sua pare no acordo.

Esta quinta-feira, em Bruxelas, as negociações entre a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) para a implementação de um acordo comercial com os EUA terminaram sem avanços ao fim de cerca de seis horas na noite de quarta-feira.

O comissário europeu com a pasta do Comércio, Maroš Šefčovič, instou os negociadores a chegarem a um acordo que ajudasse a estabilizar as relações comerciais com Washington, mas, segundo uma fonte citada pelo Politico, não teve sucesso. Após as negociações falhadas da noite passada, Šefčovič disse esperar que os colegisladores da UE, eurodeputados e países possam “alcançar rapidamente um resultado positivo” sobre a aplicação do acordo com os Estados Unidos.

“Continuo também em contacto próximo com os meus homólogos norte-americanos relativamente aos próximos passos do nosso processo legislativo, ao mesmo tempo que apelo à Administração dos EUA para que cumpra os seus compromissos”, escreveu o responsável, numa publicação nas redes sociais.

Segundo o comissário europeu, “este investimento significativo de tempo e esforço sugere que se está a fazer progressos consideráveis […], embora, naturalmente, nada esteja acordado até que tudo esteja acordado”.

Nos termos do acordo alcançado no resort Turnberry de Trump em julho passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, concordou em eliminar as tarifas da UE sobre produtos industriais dos EUA, enquanto Washington limitaria as tarifas sobre a maioria das importações de bens europeus a 15%.

No entanto, a UE ainda não cumpriu essa promessa, visto não ter conseguido aprovar a legislação necessária, o que está a enfurecer o líder da Casa Branca e, em simultâneo, a aumentar a pressão sobre o Executivo comunitário — que negoceia acordos comerciais em nome dos seus 27 países membros — para que o acordo seja aprovado.

Donald Trump caracterizou ainda a conversa com Ursula von der Leyen como “excelente” e revelou que discutiram vários assuntos, entre os quais o facto de estarem “totalmente de acordo” em que o Irão nunca poderá possuir uma arma nuclear. “Concordámos que um regime que mata o seu próprio povo não pode controlar uma bomba capaz de matar milhões de pessoas”, sublinha.

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