Visabeira quer tirar Vista Alegre Atlantis da Bolsa de Lisboa. Cristiano Ronaldo tem 10%
Empresa na qual Cristiano Ronaldo tem 10% vai sair da bolsa. 'Free float' é residual e não há benefício em Vista Alegre permanecer cotada, diz Visabeira, que propõe pagar 1,07 euros por ação.
- A Visabeira e outros acionistas que controlam 84,76% da Vista Alegre Atlantis propuseram retirar as ações da empresa da Bolsa de Lisboa devido ao baixo free float.
- Atualmente, o free float da Vista Alegre é de apenas 5,24%, e a empresa tem buscado alternativas financeiras, como uma emissão obrigacionista em 2024.
- Se a proposta for aprovada, a Visabeira irá adquirir as ações dos acionistas que não concordarem, ao preço de 1,07 euros por ação.
A Visabeira e outros acionistas que controlam 84,76% da Vista Alegre Atlantis (VAA) propuseram esta quinta-feira a retirada das ações da empresa da Bolsa de Lisboa, dado que o free float da cotada está “progressivamente mais residual”, atualmente na ordem dos 5,24%.
A proposta será debatida em Assembleia Geral a 29 de maio. A Visabeira propõe pagar 1,07 euros por ação aos acionistas que não votarem favoravelmente a deliberação, caso a proposta venha a ser aprovada na reunião magna.
“Face a esta concentração de capital da VAA no grupo Visabeira e ao contexto global e evolução dos mercados, não se prevê, no curto-médio prazo, a sua dispersão em mercado regulamentado ou aumento de capital com recurso a subscrição pública”, explicaram os acionistas em comunicado à CMVM.
Desde o último aumento de capital social da sociedade, em 2019, verifica-se um free float da VAA progressivamente mais residual, atualmente na ordem dos 5,24% (incluindo 110 ações próprias), recordaram.
Os acionistas lembraram também que uma das empresas de Cristiano Ronaldo entrou no capital da VAA em 2024.
“A alteração de maior dimensão na estrutura acionista da VAA, desde então, teve lugar em 2024no âmbito de uma transação fora de mercado, aquando da entrada da CR7, SA na VAA (10% do capital social) e na Vista Alegre Espanha (30% do capital social), com o objetivo de fazer crescer as marcas Vista Alegre e Bordallo Pinheiro”, notaram.
Em acréscimo, a empresa tem vindo a dar resposta às suas necessidades financeiras através de fontes alternativas à emissão de capital, destacando-se a emissão obrigacionista colocada junto do público em 2024, por 5 anos, explica ainda.
“Neste contexto e numa ponderação custo-benefício, as acionistas signatárias não consideram existir particular benefício para a sociedade, os seus acionistas e demais stakeholders na manutenção da negociação das ações da VAA em mercado regulamentado, afigurando-se no seu melhor interesse uma redução dos custos inerentes a essa negociação”, acrescenta na mesma nota.
Em 2025, no primeiro ano completo com o futebolista Cristiano Ronaldo na estrutura acionista, a Vista Alegre conseguiu retomar a trajetória de crescimento nos lucros, que subiram para 4,7 milhões de euros depois de terem encolhido 34% no ano anterior.
O grupo de Ílhavo, que vai construir uma nova fábrica após garantir um contrato de 400 milhões com a multinacional sueca IKEA para o fornecimento de louça de mesa em grés, reportou igualmente um volume de negócios consolidado de 144,3 milhões e que ficou 5,5% acima do período homólogo.
Contrapartida de 1,07 euros por ação
Os acionistas liderardos pela Visabeira recordaram que a sociedade pode requerer à CMVM a exclusão de negociação das suas ações quando tenha sido deliberada em assembleia geral por uma maioria não inferior a 90% dos direitos de voto correspondentes ao capital social, devendo aquele requerimento ser apresentado nos 20 dias seguintes àquela deliberação. “Não detendo o grupo Visabeira mais de 90% do capital social da VAA e sendo historicamente diminuta a participação dos demais acionistas nas assembleias gerais, esta assembleia geral anual constitui o fórum adequado para que todos os acionistas se possam pronunciar sobre esta proposta”. referiram.
Propõem aprovar a exclusão voluntária de negociação das ações representativas do capital social da VAA do mercado regulamentado Euronext Lisbon, com a consequente atribuição de poderes a qualquer dos membros do Conselho de Administração da sociedade para praticar todos e quaisquer atos necessários e, sendo aprovada a deliberação, que seja designada a Acionista Signatária Visabeira Indústria, S.A. como entidade responsável por adquirir aos acionistas que não votarem favoravelmente a deliberação as ações de que sejam titulares à data da assembleia geral, pelo valor de contrapartida fixado, a pagar em dinheiro, aquisição a ter lugar no prazo de três meses após o deferimento pela CMVM da exclusão voluntária de negociação.
A contrapartida pela aquisição das ações representativas do capital da VAA corresponderá ao preço unitário mais elevado pago ou comprometido pelas acionistas signatárias pela aquisição de ações representativas do capital da VAA, nos seis meses imediatamente anteriores à data da divulgação da convocatória da assembleiag eral, explicaram, recordando que o preço unitário mais elevado pago por estas entidades naquele período foi de €1,07, no âmbito de compra de ações em mercado regulamentado por parte da NCFTradetur, S.A.
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