Antigo líder da NATO pede criação de um novo bloco de defesa europeu
Antigo líder da NATO apela a criação de uma nova aliança de defesa europeia, argumentando que a NATO já não é suficiente. Rasmussen defendeu a integração da Ucrânia numa futura estrutura de segurança.
O antigo secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, defendeu a criação de um novo bloco de defesa europeia, argumentando que a NATO já não é suficiente, à medida que crescem as dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos em defender os países europeus no conflito contra a Rússia.
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“O que estamos a testemunhar agora é a desintegração da NATO, e isso é perigoso”, disse Rasmussen em declarações ao canal de notícias alemão WELT, citado pelo Politico. “O presidente Trump levantou tantas dúvidas sobre o seu compromisso com o Artigo 5 e com a defesa da Europa que só pode haver uma conclusão para os europeus: devemos sustentar-nos por conta própria e sermos capazes de defender o nosso continente sozinhos”, frisou Rasmussen, que esteve em Berlim para discutir com líderes europeus.
O ex-líder da NATO propôs a criação de uma “coligação de voluntários” formalizada, como um grupo de países europeus prontos e capazes de organizar a defesa do continente de forma independente.
O político dinamarquês argumentou que a Europa precisa de “novos planos de defesa e novas capacidades militares” e deve “aumentar a produção de armas e munições”. Contudo, Anders Fogh Rasmussen defende que, neste momento, “nem a UE nem a NATO estão atualmente em condições de fortalecer um pilar europeu dentro da aliança.”
Segundo a proposta que Ramussen apresentou em entrevista ao canal alemão, a participação seria limitada a países que atendessem a critérios rigorosos.
“Os países da NATO que atingirem a meta de gastos com defesa de 5% deveriam poder participar, comprometer-se com uma garantia de segurança semelhante à do Artigo 5 e impedir que Estados individuais bloqueiem operações militares. E precisa de existir um mecanismo para excluir membros que não atendam a essas condições”, vincou.
O dinamarquês ainda defendeu a integração da Ucrânia numa futura estrutura de segurança europeia como membro pleno da nova aliança proposta. “Estamos agora a observar a rapidez com que a Ucrânia desenvolve novas armas e munições. Precisamos disso como um baluarte contra a Rússia”.
O apelo de Anders Rasmussen representa uma mudança significativa para um político há muito associado a fortes laços transatlânticos. Como primeiro-ministro dinamarquês, apoiou a guerra liderada pelos EUA no Iraque e, como chefe da NATO, defendeu consistentemente um forte papel de liderança americana dentro da aliança militar.
As declarações do antigo líder da aliança transatlântica surgem num momento de incertezas face à espinha dorsal operacional dos compromissos de defesa existentes na NATO, vigentes no Artigo N.º 5, como afirmou o primeiro-ministro polaco Donald Tusk. Caso um país membro da Aliança Atlântica seja vítima de uma agressão armada, permanecem dúvidas sobre o envolvimento e auxílio dos EUA.
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