Caixa: Brasil, Moçambique e o depósito polémico que esgotou em 17 dias
Paulo Macedo revelou que nenhum dos candidatos ao banco do Brasil está na frente e abordou a polémica do depósito estruturado com ações de defesa que esgotou em 17 dias.
O líder da Caixa Geral de Depósitos (CGD) revelou que nenhum dos quatro candidatos interessados na compra do banco brasileiro está na frente e confirmou a intenção de colocar o banco em Moçambique na bolsa de Maputo. Paulo Macedo abordou ainda a polémica do depósito estruturado com ações de defesa que esgotou em 17 dias.
“A venda no Brasil tem um calendário que foi aprovado em resolução do Conselho de Ministros. Nenhum banco pode ir à frente de nada”, isto depois de questionado sobre a notícia de que o Nubank estaria na liderança da corrida, à frente das entidades Garantia Capital, MD Capital e Sputnik.
Paulo Macedo respondeu que “qualquer notícia que diz que um banco oferece um valor e vai à frente do outro é plantada para influenciar os outros”.
“Os quatro continuam interessados, nenhum vai à frente nem atrás”, insistiu o gestor, revelando que só quando se abrir as propostas vinculativas é que se vai saber os valores oferecidos. O prazo para a entrega das binding offers termina a 3 de junho.
“Boa oportunidade” para vender banco aos moçambicanos
Sobre o moçambicano BCI, Paulo Macedo confirmou que existe a intenção de cotar o banco na bolsa de Maputo. “Agora é uma boa oportunidade para o fazer em termos do que pensam os acionistas. É preciso ver se há procura do mercado”, referiu o CEO da Caixa.
A Caixa detém mais de 60% do BCI, enquanto o BPI detém perto de 36%.
“Entendemos que deve ter uma parte do capital nas mãos de moçambicanos”, explicou depois Paulo Macedo, frisando que a operação conta com o apoio das autoridades moçambicanas.
Recusou adiantar pormenores da operação, nomeadamente a percentagem de capital a dispersar na bolsa. “Estará dependente do que o mercado absorver e do que os acionistas decidirem. O banco ainda não está avaliado, vão ser iniciados os seus procedimentos e depois vamos ver se há condições”, afirmou. Mas a ideia é manter-se como acionista maioritário, se a Caixa continuar a ser bem-vinda em Moçambique.
“Não há polémica se a Europa tiver de se defender”
Em relação à polémica do depósito estruturado com ações do setor da defesa – Leonardo, ArcelorMittal e Siemens – Paulo Macedo adiantou que o produto “esgotou em 17 dias”.
O partido Livre quis ouvir o presidente da Caixa sobre o lançamento deste depósito estruturado, por considerar uma “oferta desadequada” para o banco público, mas a proposta não foi aprovada no Parlamento.
Sobre este tema, o líder da Caixa afirmou que “parece que não há polémica se a Europa tiver de se defender” tendo em conta o atual contexto e “quem não perceber isso na Europa, não percebe nada”.
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