Centeno alerta que Portugal não deve seguir caminho do aumento do consumo público e privado
Além disso, segundo o antigo governador do Banco de Portugal, o país não ganhou quota de mercado no último ano, ao contrário do que vinha a acontecer, algo que encara com "enorme preocupação".
O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno defendeu esta sexta-feira que o país não deve seguir o caminho do aumento do consumo público e do consumo privado que se registou no último ano.
“No último ano houve uma aceleração do consumo público – enfim, devemos ter alguma cautela com isso – e o consumo privado foi a componente mais dinâmica da procura. Não é o caminho que o país deve seguir”, disse Mário Centeno.
O economista e ex-governador do Banco de Portugal falava no painel “Sustentabilidade e Resiliência da Economia Portuguesa”, durante o encontro da Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital, que termina esta sexta-feira em Ílhavo, no distrito de Aveiro.
Perante uma plateia de empresários do setor elétrico nacional, Centeno começou por referir que nos últimos dez anos, Portugal, sistematicamente, tem convergido com a área do euro, mas referiu que o país está a desacelerar em termos económicos.
“A pandemia foi recuperada – aliás, muito rapidamente – mas a economia portuguesa não tem estado a investir como investia antes”, afirmou.
Mário Centeno observou que no período pós-pandémico houve uma desaceleração do Produto Interno Bruto, mas considerou que o mais preocupante foi a “enorme desaceleração do investimento, que neste momento cresce, mas a 2,9%”.
Apesar disso, referiu que o país tem continuado a ganhar quota de mercado, em média anual, mas referiu que isso não aconteceu no último ano, o que, para o economista, constitui “uma enorme preocupação para uma economia pequena e aberta”.
Centeno, que se escusou a responder a perguntas dos jornalistas, avisou ainda que se a inflação vier aí, como aconteceu no passado, as taxas de juro sobem e o investimento retrai-se, e realçou que o país não pode pôr em causa o que conquistou com a redução da dívida, afirmando que foi “um dos grandes feitos da economia portuguesa”.
“Nós não podemos pôr em causa isso, porque, do ponto de vista macro, o país conseguiu um feito muito pouco usual, que é juntar a redução da dívida à capacidade do investimento”, defendeu.
Centeno disse, no entanto, que é possível olhar para o futuro com otimismo, adiantando que o país fez uma transformação significativa nas suas qualificações e pode beneficiar de um posicionamento altamente privilegiado na Europa, quer do ponto de vista geográfico, quer do ponto de vista das alianças e da estratégia que Portugal pode seguir na integração europeia.
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