Exportações e importações com aumentos acima de 10% após início da guerra no Irão
Subida homóloga de 10,6% nas exportações em março reflete aumentos em todas as categorias de produtos, sendo o maior na de máquinas e outros bens de capital. Importações cresceram 11,6%.
As exportações portuguesas de bens inverteram a tendência de queda observada nos primeiros dois meses do ano e aumentaram 10,6% em março face ao mesmo mês do ano passado. Mas, segundo mostram os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o disparo foi ainda maior nas importações (+11,6%), resultando num agravamento do défice da balança comercial, em termos homólogos, em 356 milhões de euros.
Evolução homóloga das trocas comerciais:

Porém, o aumento observado em março nas vendas de bens ao estrangeiro não foi suficiente para conter a queda de 6,5% nas exportações registadas no primeiro trimestre do ano, depois dos recuos de 14,1% em janeiro e de 14,5% em fevereiro. Mesmo os decréscimos nas importações, de 2,3% no início do ano e de 4,2% no mês seguinte, impediram a subida de 2,7% registada a nível trimestral.
A evolução registada nas exportações no terceiro mês de 2026 resulta de aumentos em todas as categorias de produtos, com destaque para as subidas de 17,4% na venda de máquinas e outros bens de capital — cujo principal destino foi a Alemanha –, de 12,7% na venda de material de transporte (sobretudo de automóveis de passageiros para a Turquia) e de 12% na venda de bens de consumo, sendo Espanha e França os destinos com maiores aumentos neste segmento.
Quando excluídas as transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda (TTE), o acréscimo das exportações em março foi ainda mais expressivo, situando-se em 14,6%. Já se descontados apenas os combustíveis e lubrificantes, as vendas cresceram 9,7%, refletindo essencialmente o aumento das transações desta categoria de produtos (+28,0%).
Tendo em conta os principais países parceiros do ano passado, a Alemanha e Espanha protagonizaram os maiores aumentos na compra de bens portugueses em março, de 19,1% e 6,3%, respetivamente. No caso da maior economia da Zona Euro, o INE refere o crescimento das vendas de máquinas e outros bens de capital e de material de transporte como os maiores contributos para a subida, enquanto o acréscimo das exportações para o país de “nuestros hermanos” resultou, especialmente, das transações de fornecimentos industriais.
Em sentido contrário, os EUA destacaram-se com uma quebra de 25,1% nas compras a Portugal, devido, sobretudo, a uma diminuição nos fornecimentos industriais — em particular de produtos químicos relacionados, maioritariamente, com transações com vista a trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade). Excluindo este tipo de transações, as exportações para os Estados Unidos apresentam um aumento de 23,4% em março, ressalva o gabinete estatístico.
Paralelamente, o aumento homólogo de 11,6% nas importações foi influenciado, sobretudo, por acréscimos no material de transporte (+20,2%), principalmente automóveis de passageiros provenientes de Espanha; nas máquinas e outros bens de capital (+20,0%), especialmente dos Países Baixos; e nos fornecimentos industriais (+8,5%), em grande medida pela compra de produtos químicos e metais comuns a Espanha e aos Países Baixos.
Variação homóloga das importações por categoria de produto:

Se se excluir as transações TTE, o acréscimo das importações em março é ligeiramente maior, de 11,9%. Descontando apenas os combustíveis e lubrificantes, as compras ao exterior cresceram 12,2%.
Considerando os principais países parceiros de 2025, destacam-se as subidas das importações provenientes de Espanha (+11,3%), principalmente material de transporte (sobretudo automóveis de passageiros), e dos Países Baixos (+52,0%), essencialmente máquinas e outros bens de capital.
Perante este quadro, a categoria de material de transporte foi a que mais penalizou a balança comercial no terceiro mês do ano, num agravamento de 177 milhões de euros. O défice da balança comercial de bens alcança, neste momento, 2.863 milhões de euros, mais 356 milhões quando comparado com março de 2025 e mais 153 milhões face ao mês anterior.
Os combustíveis e lubrificantes representaram 16,2% do défice da balança comercial, mais um ponto percentual do que no mês anterior, mas menos 4,3 pontos percentuais face há um ano. “Expurgado o efeito destes produtos, o défice da balança comercial situou-se em 2.398 milhões de euros em março, refletindo agravamentos de 405 milhões face a março de 2025 e de 100 milhões em relação ao mês anterior”, indica o INE.
Entre janeiro e março, comparativamente ao período homólogo, as importações aumentaram mais que as exportações, originando um agravamento de 2.122 milhões de euros no défice, que atingiu 8.417 milhões de euros, maioritariamente em resultado das variações nas categorias de produtos químicos e de máquinas e aparelhos. Excluídas as TTE, o agravamento foi menos pronunciado (968 milhões de euros, para 8.408 milhões de euros).
(Notícia atualizada pela última vez às 12h25)
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