Insolvências sobem 7,8% até abril e contrariam tendência de 2025

Entre janeiro e abril, 701 empresas entraram em insolvência, o que representa uma subida de 7,8%, enquanto a criação de novas empresas está em queda há três meses consecutivos.

Nos primeiros quatro meses do ano, as insolvências aumentaram em Portugal 7,8% face ao mesmo período do ano anterior, com 701 empresas a entrarem em processo de insolvência, contrariando a tendência de descida verificada em 2025, segundo dados divulgados esta sexta-feira pela Informa D&B.

Este aumento foi transversal a mais de metade dos setores de atividade, com a construção a assumir o maior contributo para a subida registada no acumulado do ano, ao registar mais 20 processos de insolvência (+28%) do que no período homólogo. Segue-se a indústria (+14%; +20 insolvências), com destaque para a indústria têxtil e do vestuário (+21%; +14 insolvências).

Em contraciclo, os encerramentos de empresas registaram uma descida. Entre janeiro e abril deste ano, fecharam 3.736 empresas em Portugal, menos 24% (menos 1.165 encerramentos) do que no mesmo período do ano anterior, mostra a análise.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, a quebra é mais moderada. Entre maio de 2025 e abril de 2026, encerraram 14.298 empresas, menos 8,7% do que nos 12 meses anteriores (-1.356 encerramentos).

Esta descida foi transversal a todos os setores de atividade e a todas as regiões do continente, destacando-se o setor do retalho, com uma redução de 16% (-342 encerramentos).

Ainda assim, algumas atividades registaram aumentos no número de encerramentos. É o caso do retalho não especializado por correspondência ou via Internet, cujo número de encerramentos mais do que triplicou face aos 12 meses anteriores (+228%; +114 encerramentos). Também a fabricação de calçado apresentou uma subida relevante (+37%; +33 encerramentos), embora com menor expressão em termos absolutos.

Constituição de empresas em queda há três meses consecutivos

Entre o início do ano e o final de abril, foram constituídas 19.503 empresas em Portugal, o que representa uma descida de 4,6%, segundo o barómetro da Informa D&B. A consultora sublinha que, apesar de um crescimento em janeiro, os três meses seguintes registaram quebras sucessivas face aos valores acumulados dos períodos homólogos.

A criação de novas empresas recuou na maioria dos setores de atividade face ao mesmo período do ano anterior. A construção (+7,7%; +203 constituições) e as tecnologias da informação e comunicação (+8,4%; +112 constituições) foram as únicas áreas a registar crescimento nos primeiros quatro meses do ano.

Na construção, a evolução confirma a tendência de crescimento observada desde 2020, refletindo a forte procura por habitação e reabilitação urbana e a existência de oportunidades no mercado. Já nas tecnologias da informação e comunicação, destaca-se o dinamismo das atividades de informática, explica a consultora.

Em sentido contrário, o setor da agricultura e outros recursos naturais registou a maior quebra na criação de empresas (-37%; -283 constituições), com especial destaque para a agricultura e pecuária (-42%; -285 constituições), sobretudo nos distritos de Beja, Braga e Viseu e em atividades de produção agrícola e animal combinadas e olivicultura.

Também o retalho (-13%; -226 constituições) e os transportes (-15%; -217 constituições) registaram descidas significativas no número de novas empresas.

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