Mundial 2026. Há um jogo de Portugal que bate o preço dos bilhetes da Super Bowl

Rafael Correia,

Esta semana, os bilhetes mais baratos para este jogo rondavam, em média, os 2.500 dólares (cerca de 2.125 euros), de acordo com a TicketData, que monitoriza este mercado.

Os bilhetes para o jogo que coloca Portugal e Colômbia frente a frente no Mundial de 2026 estão a atingir preços de revenda que já ultrapassam os valores cobrados para a Super Bowl. Num momento em que as televisões generalistas portuguesas ainda não conseguiram garantir a sua transmissão, a verdade é que o interesse na partida está em alta.

De acordo com o Wall Street Journal, dos 104 jogos que compõem o Mundial de Futebol, o jogo de 27/28 de junho (dia nos EUA/dia em Portugal, devido à diferença horária) é um dos que gera maior interesse nos sites de revenda. Esta semana, os bilhetes de valor mais baixo para este jogo rondavam, em média, os 2.500 dólares (cerca de 2.125 euros), de acordo com a TicketData, que monitoriza este mercado.

Segundo a publicação, este é o jogo da fase de grupos mais caro entre seleções que não pertencem aos três coanfitriões — EUA, México e Canadá. O valor é inclusivamente superior ao preço médio da Super Bowl de 2025, que foi de 2.109 dólares (cerca de 1.792 euros).

No site de revenda de bilhetes da FIFA, os preços para o jogo Portugal — Colômbia variavam esta semana entre os 2.300 dólares (1.955 euros) e os 5,75 milhões de dólares (cerca de 4,89 milhões de euros). O WSJ nota que estes valores não incluem a taxa de 15% cobrada pela FIFA aos compradores, nem a taxa de 15% aplicada aos vendedores.

A contribuir para esta inflação, para além do efeito fear of missing out (FOMO), está o facto de Portugal e Colômbia estarem no top 15 da FIFA — sendo este um dos únicos quatro jogos da primeira ronda entre países nessa elite do ranking –, bem como a comunidade de quase 500 mil colombianos residente no estado norte-americano da Flórida, que vai receber a partida. A FIFA declara que os seus preços normais e de revenda se alinham com as tendências da indústria e que as receitas do Mundial ajudam a financiar o seu trabalho sem fins lucrativos no apoio ao desporto em mais de 200 nações.

Em Portugal, apenas a Sport TV (TV, Mobile e Internet), a Live Mode (Mobile e Internet) e a Rádio Renascença (Rádio) garantiram os direitos de emissão da competição. No entanto, os três canais generalistas em sinal aberto — RTP, SIC e TVI – já anunciaram que pediram uma posição da ERC sobre o valor “justo” a pagar pelos direitos televisivos.

“A FIFA vendeu os direitos à Sport TV e, portanto, mesmo a ERC não tendo autoridade sobre a FIFA, tem autoridade sobre a Sport TV. Qualquer jogo transmitido em canal fechado para a Sport TV, a ERC tem capacidade de dizer que o jogo também pode ser transmitido em sinal aberto“, explicou Pedro Morais Leitão, CEO da Media Capital, à margem do congresso da APDC. A Media Capital já tinha criticado o facto de a FIFA estar a pedir 430 mil euros pela transmissão televisiva de cada jogo do Mundial 2026, tendo rejeitado, até ao momento, todas as propostas conjuntas dos três canais generalistas em sinal aberto.

Portugal não é o único país a viver um impasse nos direitos de transmissão. Nações como a China e a Índia ainda não têm a competição garantida em nenhuma plataforma devido aos elevados custos. A FIFA adiantou à BBC que as conversações na China e na Índia “estão a decorrer e devem permanecer confidenciais nesta fase”, recusando comentar os valores envolvidos.

De acordo com a televisão pública britânica, a oferta inicial da FIFA à operadora estatal China Central Television (CCTV) terá chegado aos 300 milhões de dólares (cerca de 255 milhões de euros), valor que terá baixado entretanto para a fasquia dos 120 a 150 milhões de dólares (102 a 128 milhões de euros). Contudo, o jornal estatal Beijing Daily refere que este montante ainda representa mais do dobro do orçamento da CCTV para o evento, sublinhando que existe um desinteresse generalizado pelo facto de a China não se ter qualificado e devido à diferença horária desfavorável.

Apesar de um total de 180 territórios já terem concluído acordos com a FIFA, um pequeno grupo, que inclui estes dois países, ainda não o fez, o que poderá deixar de fora das transmissões mais de um terço da população mundial.

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