Têxtil. Taxa antidumping na poliamida ameaça competitividade e margens da indústria
Setor defende que aplicação da tarifa sobre a matéria-prima, e não sobre o produto acabado, vai agravar os custos de produção e põe em risco as empresas mais expostas a esta matéria-prima.
A implementação de uma tarifa antidumping, a nível europeu, sobre a poliamida é uma ameaça à competitividade e à concorrência das empresas portuguesas da indústria têxtil, que usam esta fibra, e poderá ter impacto nas margens, encomendas e até na continuidade da atividade das empresas mais expostas, avisa a associação que representa o setor.
A Comissão Europeia instituiu, em março deste ano, uma medida antidumping provisória sobre as importações de fios de poliamida originários da China. A decisão surge na sequência de um pedido de investigação feito por uma associação que representa um pequeno número de produtores europeus de fios de poliamida.
Enquanto não termina a investigação, cuja conclusão está prevista para setembro, as medidas poderão sofrer ajustes. A ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal está a trabalhar junto da Comissão Europeia, juntamente com outras associações, para que a taxa seja revista.
“Não estamos contra que a tarifa seja aplicada”, adianta Ricardo Silva ao ECO. O presidente do patrão dos têxteis admite que “tarifar faz sentido. Não faz se for unicamente aplicada no fio”.
“O produto acabado vai ter um custo acrescido e [o setor vai] concorrer com os produtos da Ásia que não tiveram essa taxa”, alerta, acrescentando que a associação defende a taxa, “mas aplicada à totalidade dos produtos que contêm este fio”.

Embora admita que “o produto é difícil de identificar – os próprios códigos pautais são muito específicos – “, o empresário argumenta que “não se aplique a taxa até estar resolvida a questão do produto final. Tem de se estruturar [a tarifa] de forma correta”, defende.
“Esta taxa foi estudada a pedido de uma associação que representa um conjunto de produtores de filamento de poliamida, um núcleo pequeno de empresas. Está a proteger os seus interesses, mas [a Comissão Europeia] está desproteger um número muito maior de empresas“, critica.
“Se a medida avançar tal como está, sem abranger os produtos acabados importados, poderá ter um impacto elevado nas margens, na perda de encomendas e, em alguns casos, na própria continuidade da atividade de empresas mais expostas, com consequências negativas ao nível do emprego“, reforça Ana Dinis, diretora-geral da ATP.
Se a medida avançar tal como está, sem abranger os produtos acabados importados, poderá ter um impacto elevado nas margens, na perda de encomendas e, em alguns casos, na própria continuidade da atividade de empresas mais expostas, com consequências negativas ao nível do emprego.
Segundo a associação que representa o setor, “o principal problema destas medidas é que incidem sobre uma matéria-prima essencial para várias empresas da indústria têxtil e do vestuário, aumentando os seus custos, sem haver um agravamento equivalente para os produtos acabados importados que incorporam essa mesma matéria-prima”, explica a diretora-geral da ATP, que tem acompanhado de perto este dossier.
“Isto cria uma assimetria concorrencial séria e pode afetar negativamente a competitividade das empresas portuguesas, em particular em segmentos mais expostos e com maior pressão internacional sobre o preço“, acrescenta.
Sem conhecer nesta fase o número fechado de empresas utilizadoras deste material, que são diretamente afetadas, Ana Dinis realça “que o impacto potencial é relevante para muitas empresas e segmentos da fileira”.
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