Vendas da Bosch Portugal recuam 2,6% após vender fábrica de Ovar
Agora com fábricas em Braga e em Aveiro, além de um hub de serviços em Lisboa, a filial da multinacional alemã reduziu para cerca de 5.900 o número de trabalhadores em Portugal.
A Bosch fechou 2025 com uma faturação de 2,2 mil milhões de euros em Portugal, o que representa uma descida de 2,6% face ao ano anterior. Apesar da diminuição do volume de negócios no último exercício, este foi o quarto ano consecutivo em que este indicador superou a barreira dos 2.000 milhões de euros.
A quebra de 2,6% é explicada pelo ajustamento decorrente da venda à Triton do negócio de tecnologias de segurança e comunicações da divisão Building Technologies, em Ovar, que aconteceu em meados do ano passado. A partir dessa altura, as respetivas receitas deixaram de ser contabilizadas.
“Apesar de um ambiente global desafiante, de constrangimentos na cadeia de abastecimento de semicondutores, bem como de alterações estratégicas ao portefólio da empresa, a Bosch manteve um desempenho sólido em Portugal”, considera Javier González Pareja, presidente da Bosch em Portugal e Espanha, citado em comunicado.
Apesar de um ambiente global desafiante, de constrangimentos na cadeia de abastecimento de semicondutores, bem como de alterações estratégicas ao portefólio da empresa, a Bosch manteve um desempenho sólido em Portugal.
No final de 2025, o grupo alemão empregava perto de 5.900 pessoas em Portugal. O grupo exclui os colaboradores anteriormente afetos ao negócio da Building Technologies em Ovar para reclamar que significa um aumento de 3% face ao final do ano anterior. Há dois anos dizia ter mais de 7.000 trabalhadores no país.
“O nosso desempenho sólido num ano desafiante comprova o sucesso da nossa estratégia de longo prazo em Portugal. Não estamos apenas a resistir à incerteza, mas também a investir em áreas estratégicas para a empresa no país”, acrescenta Javier González Pareja.

Em 2025, a Bosch diz ter destinado cerca de 12 mil milhões de euros à investigação e desenvolvimento, bem como a investimentos de capital.
“Enquanto líder tecnológico global, estamos comprometidos em impulsionar tendências como a automatização, a digitalização, a eletrificação e a inteligência artificial, porque são a base de um crescimento rentável”, afirmou Stefan Hartung, presidente do conselho de administração da Bosch, citado em comunicado.
Segundo escreve o Expresso (acesso pago), a multinacional alemã está a transferir investimentos e produção do Leste europeu para Aveiro e Braga e prevê investir mais 85 milhões de euros em Portugal até ao final do ano, com foco nos projetos de mobilidade elétrica, em Braga, e de bombas de calor, em Aveiro.
Na área da mobilidade, considerada estratégica para a Bosch a nível global, a unidade de Braga tem vindo a adaptar e expandir o seu portefólio, acompanhando a evolução da indústria automóvel, cada vez mais assente em software, computadores de bordo, câmaras e sensores, sistemas de comunicação V2X (veículo-para-tudo) e soluções de monitorização dos ocupantes. A empresa reforça a aposta no desenvolvimento e produção destas tecnologias, que contribuem para uma mobilidade mais conectada e autónoma.
Ainda assim, a unidade de Braga registou uma diminuição moderada das vendas face ao ano anterior, devido às “condições de mercado no último ano”. Para 2026, a Bosch antecipa um “regresso sólido ao crescimento” da unidade bracarense.
Na divisão de energia e tecnologia de edifícios, a unidade de Aveiro registou um crescimento de dois dígitos em comparação com 2024. “Esta unidade continua a reforçar a sua forte posição enquanto empresa líder na divisão Home Comfort para o desenvolvimento e produção de bombas de calor a nível mundial, prevendo-se a continuidade dos investimentos tanto ao nível da capacidade de produção como da expansão do portefólio de produtos”, avança a gigante alemã.
Já a unidade de Lisboa, que agrega serviços especializados para a Bosch a nível mundial em várias áreas de competência, voltou a registar um crescimento sólido em 2025. A equipa de Service Solutions integra cerca de 150 engenheiros do centro de I&D em Ovar, responsáveis pelo desenvolvimento de soluções para diferentes divisões da empresa.
Por fim, a área de bens de consumo, que engloba eletrodomésticos e ferramentas elétricas, regressou ao crescimento em 2025 devido à procura do mercado, contribuindo para um aumento sólido das vendas face ao ano anterior.
A nível global, a Bosch, que emprega aproximadamente 412 mil trabalhadores, fechou 2025 com vendas de 91 mil milhões de euros, ligeiramente acima dos 90,3 mil milhões registados no ano anterior.
Apesar da incerteza, Bosch prevê crescimento das vendas em 2026
Relativamente às perspetivas para este ano, apesar dos elevados níveis de incerteza associados ao contexto geopolítico e aos efeitos ainda imprevisíveis da guerra no Médio Oriente — que deverão continuar a pressionar a inflação e a economia mundial —, a Bosch espera manter uma evolução positiva das vendas em Portugal.
“Ao aproveitar oportunidades estratégicas, asseguramos crescimento futuro e reforçamos as nossas capacidades de desenvolvimento e produção. O nosso foco está em avançar na mobilidade, inovar na tecnologia de aquecimento de água, prestar serviços globais e integrar a inteligência artificial nos nossos processos, produtos e serviços”, reforça Javier González Pareja.
A empresa prevê para 2026 um crescimento das vendas entre 2% e 5% e uma margem EBIT operacional entre 4% e 6%.
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