Um mês de Volta. Vai haver 3.000 máquinas pelo país “nas próximas semanas”

Agora que passa um mês desde que o sistema de depósito e reembolso está em operação, não há dados de recolha para apresentar, apenas a promessa que o número de máquinas vai subir para 3.000 em breve.

O sistema que pede a entrega de embalagens, como garrafas e latas, em troca da devolução de um valor de 10 cêntimos, está em vigor desde 10 de abril, pelo que este domingo conta um mês de operação. Embora a empresa prefira não partilhar dados da recolha e do número de artigos com o código Volta que já chegou às prateleiras, avança que, nas próximas semanas, as 2.500 máquinas que estão presentes desde o início para a devolução vão elevar-se a 3.000.

A implementação está a correr como previsto e de forma tranquila, com cerca de 2.500 Pontos automáticos Volta distribuídos pelo país, com a previsão de atingir os cerca de 3.000 nas próximas semanas“, escreve a SDR Portugal, entidade responsável pelo sistema de depósito e Reembolso que se apresenta como Volta, em resposta ao ECO/Capital Verde. Alguns equipamentos estão em fase final de instalação, testes técnicos e afinação operacional.

“Esta é uma fase de adaptação para todos, cidadão e agentes económicos, e de estabilização operacional, perfeitamente alinhado com o esperado”, considera a entidade responsável, em jeito de balanço.

Questionada sobre os resultados obtidos com a recolha em abril e até ao momento, a Volta não avança dados. “O anúncio quantitativo dos resultados será feito numa fase mais madura, quando o sistema estiver plenamente estabilizado”, indica a entidade, frisando que decorre ainda o chamado período de transição.

Recentemente, a Volta esteve debaixo dos holofotes por ter baixado as metas de recolha para o presente ano, de 70% para 40%. Contactada, a SDR Portugal justificou afirmando que o ajuste é proporcional ao tempo em que o sistema está em operação, uma vez que não arrancou no início do ano e existe ainda um período de transição.

O anúncio quantitativo dos resultados será feito numa fase mais madura, quando o sistema estiver plenamente estabilizado.

SDR Portugal

Fonte oficial

Até 9 de agosto, decorrerá um período de transição de 120 dias. Durante este período, coexistirão no mercado embalagens com e sem o símbolo volta, à medida que os produtos atualmente disponíveis vão sendo progressivamente substituídos pelas novas embalagens que estão adaptadas ao sistema. Isto faz com que, durante este período, nem todas as embalagens possam ser devolvidas (nesse caso, também não é cobrado o valor de depósito).

Também em relação ao número de embalagens com o rótulo Volta que já chegaram às superfícies comerciais, a SDR Portugal afirma não ter dados a apresentar. Contudo indica que, “muito rapidamente, a grande maioria das embalagens já estará coberta pelo sistema”.

Temos recebido feedback positivo das equipas de loja relativamente à implementação, ainda que com desafios normais de arranque de um sistema desta dimensão nacional.

Ana Rita Cruz

Diretora de Sustentabilidade Bem-Estar da Auchan Retail

Da parte dos retalhistas, Ana Rita Cruz, diretora de Sustentabilidade Bem-Estar da Auchan Retail Portugal, afirma que tem recebido feedback positivo das equipas de loja relativamente à implementação, apesar de reconhecer “desafios normais” de arranque de um sistema desta dimensão.

“Houve necessidade de adaptação operacional, esclarecimento contínuo aos consumidores e afinação de alguns processos técnicos, mas sem situações críticas”, assinala a responsável, considerando que, de acordo com a experiência internacional, os primeiros meses são sobretudo uma fase de aprendizagem e de consolidação de novos hábitos.

"Houve necessidade de adaptação operacional, esclarecimento contínuo aos consumidores e afinação de alguns processos técnicos, mas sem situações críticas.”

Ana Rita Cruz

Diretora de Sustentabilidade Bem-Estar da Auchan Retail Portugal

O Auchan Retail Portugal indica que concretizou 5.000 horas de formação dirigidas aos colaboradores, que abarcaram desde uma formação geral sobre o Sistema de Depósito e Reembolso e operação dos sistemas automáticos de recolha até aos procedimentos de loja e atendimento e apoio ao cliente. “Esse trabalho foi fundamental para garantir capacidade de resposta e proximidade junto dos consumidores logo desde o primeiro dia”, afirma.

“O mais importante nesta fase é garantir consistência, pedagogia e proximidade com o consumidor, para que o sistema se consolide gradualmente e cumpra o seu objetivo ambiental de reforço da economia circular e aumento das taxas de recolha seletiva em Portugal”, conclui Ana Rita Cruz.

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