Francisco Proença de Carvalho: “A advocacia, para mim, sempre foi um exercício de liberdade”

  • ECO
  • 11 Maio 2026

Gosta muito de futebol e de música, mas foi na advocacia que encontrou o seu legado de vida. Hoje, Francisco Proença de Carvalho está à frente da reestruturação da sociedade Proença de Carvalho.

Francisco Proença de Carvalho, advogado e refundador da Proença de Carvalho, é o 77º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Apesar de ser filho de um advogado, não soube desde sempre que queria seguir a mesma carreira do pai. Na verdade, tirando os hobbies relacionados com futebol e música, gostava muito de escrever artigos e, por isso, queria ser jornalista. Mas a vida acabou por surpreendê-lo.

“Quando comecei a crescer, a primeira profissão que quis seguir era jornalista. Sempre gostei de escrever, escrevia muitos artigos em blogues, e entrei no curso de direito com a ideia de ser jornalista. No início, o curso de direito era muito chato, pesado e muito de ´marrar´. Mas a partir do momento em que o curso começou a evoluir, eu também comecei a adaptar-me ao direito, à advocacia e à visão para estas coisas“, começou por dizer, justificando que foi assim que perdeu a ideia do jornalismo e passou a querer ser advogado.

Terminado o curso, Francisco Proença de Carvalho toma a decisão de fazer o estágio e, apesar de ter sido convidado para estagiar “num grande escritório”, acabou por ficar no negócio familiar que o pai, Daniel Proença de Carvalho, já havia começado e que contava apenas com seis pessoas: “Lembro-me de o meu pai me perguntar o que é que eu ia fazer para a concorrência e me ter dito para eu ir aprender com ele e ajudar a desenvolver o projeto”.

E foi exatamente isso que fez. Entrou no negócio do pai e participou na evolução do escritório, que passou a ser “de uma pessoa individual para uma sociedade de advogados e, depois, para uma empresa ibérica” – a “Uría Menéndez – Proença de Carvalho”. Esta associação das duas empresas aconteceu em 2010 e Francisco Proença de Carvalho avalia-a como uma “integração virtuosa” para ambas as partes.

Colocar em Portugal a Uría Menéndez – Proença de Carvalho, juntar as duas marcas, foi um grande desafio. Mas acho que foi uma integração virtuosa porque permitiu-nos a nós, Proença de Carvalho, perceber o que é a advocacia verdadeiramente empresarial e internacional, e permitiu à Uría Menéndez afirmar-se no mercado português. Aqui, sinto que cumpri o meu papel”, afirmou.

Uma vez cumprido o seu papel, 14 anos depois de ter conseguido juntar as duas marcas, Francisco Proença de Carvalho decide sair do projeto. Admite que, na altura, ainda ponderou ir para outras sociedades de advogados, uma vez que tinha a curiosidade de estar numa realidade diferente de um negócio da família, mas “em poucas semanas” surgiu-lhe a ideia que daria origem à sociedade Proença de Carvalho e foi a isso que se dedicou.

“Em poucas semanas, a minha cabeça já estava claramente focada em levar a cabo um projeto meu. Eu achava que tinha um nome com potencial, mas quis confirmar isso. Então investi num estudo e essa avaliação de mercado disse-nos que o nome Proença de Carvalho estava entre os três mais conhecidos da advocacia portuguesa. Decidi, por isso, refundar a marca, que é agora um bocadinho diferente. Utilizamos os valores e princípios que eu aprendi com o meu pai e que estão no nosso manifesto – coragem, rigor, visão, proximidade, confiança – e, no fundo, isto também representa uma homenagem. Há aqui um lado objetivo e um lado sentimental”, explicou.

 

Confessa que, quando tomou esta decisão, “estava pronto para começar sozinho”, mas acabou por ter colegas interessados em participar na ideia: “Quando alguns colegas meus perceberam o potencial do projeto, foram-se juntando. A partir daí, começamos a formar uma equipa com pessoas diferentes e isso faz parte do conceito deste escritório – a diversidade de modelos de advogados. Eu não quero criar um único modelo de advogado, eu quero criar uma cultura em que a individualidade é mais respeitada. Os advogados da Proença de Carvalho respeitam os nossos princípios sobre aquele manifesto, mas vivem num modelo flexível”.

“Eu venho de uma cultura em que a tendência é criar o perfil do advogado daquela casa, é formatar. E isso não é mau, mas eu sou um bocadinho desformatado e quis refletir isso em mais flexibilidade, mais descontração e mais liberdade. A advocacia, para mim, sempre foi um exercício de liberdade. Foi assim que fui criado com o meu pai, que sempre foi uma pessoa profundamente livre, liberal e independente, que sempre agiu com coragem pelas suas ideias, portanto é isso que incentivamos: uma cultura de profissionalismo, de respeito pelos princípios éticos, mas com espaço para cada um construir o seu modelo de advogado dentro destes princípios. Isso diferencia-nos”, continuou.

Neste sentido, considera que “no final do dia, são os clientes que escolhem os advogados e tudo assenta em questões de confiança, de reputação, e de uma certa empatia profissional e, por vezes, pessoal”. A este respeito, mencionou ainda o caso de Ricardo Salgado, de quem é advogado, e admite: “Nada me dá mais propósito e sentido na advocacia do que defender uma pessoa no seu momento mais difícil e complexo da vida”.

Este lado mais humano dos profissionais de direito é algo que Francisco Proença de Carvalho pretende divulgar mais e, para isso, lançou recentemente o podcast “Outras Causas”, através do qual visa humanizar e não esconder ninguém atrás das marcas: “A advocacia fez grandes personalidades que entretanto foram desaparecendo, mas por trás das marcas existem pessoas com muita cultura, com visão e com opinião, e acho que é isso que os advogados devem partilhar”.

“Eu tento fazer coisas para dar uma imagem um bocadinho diferente da advocacia e dos profissionais do direito, de forma a mostrar o lado mais humano e interior de cada protagonista para que as pessoas percebam que a advocacia é mesmo muito importante para as democracias. Para já, gosto da carreira que tenho feito e o futuro logo se vê. Acho que fazer grandes planos para o futuro é um grande erro porque, normalmente, vamos sair desiludidos. No final do dia, temos de ter saúde e sentirmo-nos bem, e eu tenho esperança de que as coisas possam continuar a correr bem“, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.

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