Agência Europeia de Defesa tem 2 milhões para ‘drones kamikaze’ que serão testados em Portugal
Os 10 finalistas da competição "Sentinel Strike Challenge", no âmbito do Hub for EU Defence Innovation (HEDI), irão testar as soluções durante o HEDI–OPEX 2026, a decorrer este ano em Portugal.
A Agência de Defesa Europeia (EDA) tem dois milhões de euros para novas soluções de ‘drones kamikaze’ que serão postas à prova em Portugal. Os finalistas da competição “Sentinel Strike Challenge”, no âmbito do Hub for EU Defence Innovation (HEDI), irão testar as soluções durante o HEDI–OPEX 2026, que decorre em setembro-outubro com o Artex2026, o exercício operacional do Exército Português, no campo militar de Santa Margarida.
A EDA, através do HEDI, abriu até 4 de junho candidaturas para o “Sentinel Strike Challenge”, uma competição (e não um processo de compra, frisa a Agência) que visa apoiar a “experimentação operacional de novas capacidades de munições de ataque de precisão na Europa”, isto é, as chamadas ‘loitering munition‘ também conhecidas como ‘drones kamikaze’.
Através desta competição a EDA pretende “permitir que participantes selecionados da indústria demonstrem sistemas completos de munição de ataque de precisão sob condições controladas de experimentação militar”, mas também “reunir utilizadores operacionais, especialistas técnicos, a indústria e as autoridades nacionais para apoiar o ecossistema de inovação em defesa da Europa”, entre outros objetivos.
As soluções deverão ter uma capacidade de carga até 25 quilogramas e uma abrangência operacional até 40 quilómetros. Planeamento de missão, implementação, deteção, identificação e monitorização do alvo são alguns dos aspetos que serão objeto de avaliação. “O desafio irá concentra-se em sistemas completos de munição de ataque de precisão que combinam funções de inteligência, vigilância e reconhecimento, navegação e ataque de precisão numa única capacidade”, informa a EDA em comunicado.
Processo de participação
A competição está estruturada em duas fases. Na primeira, os candidatos irão apresentar as propostas técnicas para avaliação, até 10 prémios poderão ser atribuídos nesta fase, tendo a EDA destinado cerca de 200 mil euros para esta fase da competição.
Destes 10, os cinco melhor colocados serão convidados a avançar para a fase seguinte: a de experimentação operacional. Estando reservado 1,8 milhões de euros para esta fase.
“A campanha está prevista para ocorrer entre setembro e outubro de 2026 em Portugal, no âmbito da Campanha de Experimentação Operacional HEDI 2026, em conjunto com o exercício de experimentação tecnológica ARTEX26 do Exército Português. Os testes deverão ser realizados no campo militar de Santa Margarida, incluindo demonstrações com munição real”, refere a EDA.
Este é o segundo OPEX da HEIDI a realizar-se. A primeira edição “envolveu seis empresas europeias, 17 Estados-Membros e cerca de 150 militares e técnicos no terreno, tendo sido conduzidas mais de 330 missões com sistemas não tripulados terrestres e aéreos. Para 2026, é expectável um envolvimento internacional semelhante”, adiantou em janeiro porta-voz do Exército Português ao ECO/eRadar.
“As campanhas de experimentação europeia priorizam soluções com aplicação direta em contexto operacional, incluindo sistemas autónomos aéreos e terrestres (UAS/UGS); emprego em logística (reabastecimento, evacuação sanitária) e apoio a operações; reconhecimento e vigilância; experimentação de loitering munitions; interoperabilidade entre sistemas, com foco na integração em cenários operacionais realistas”, elenca.
O exercício operacional europeu decorre em simultâneo com o Army Technological Experimentation (ARTEx 26), organizado anualmente pelo Exército Português, através do CEMTEx. “A iniciativa tem relevância nacional e internacional: contribui para a modernização da Força Terrestre, acelera a aprendizagem operacional (doutrina, treino e integração), potencia a Indústria e Economia da Defesa e aprofunda a ligação entre Forças Armadas, empresas, universidades e centros de I&D, ao mesmo tempo que reforça a interoperabilidade europeia e o contributo de Portugal na inovação de defesa no quadro da UE”, destacou na época porta-voz do Exército Português.
No ano passado, 31 empresas participaram neste exercício.
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