“Distrito Económico e Empresarial” reformula Ramalde e torna avenida AEP subterrânea
O Porto tem em vista um grande projeto de urbanismo para transformar a zona de Ramalde no Distrito Económico e Empresarial do Porto. O anúncio, feito nesta terça-feira, traz a reboque a mobilidade.
Se Lisboa tem o projeto “Parque Cidades do Tejo” em vários municípios das duas margens do Tejo, o Porto terá o “Distrito Económico e Empresarial do Porto”, em Ramalde. Nesta terça-feira, o Governo repescou uma ideia de um antigo autarca socialista que o apresentou como elemento-chave de candidatura nas autárquicas ganhas por Pedro Duarte e apresentou argumentos para rebater a reclamação de notáveis do Norte que, em março, questionaram o centralismo e a “racionalidade e o impacto dos grandes investimentos projetados para um mesmo período e concentrados numa mesma região”.
Ladeado de Pedro Duarte e do autarca lisboeta Carlos Moedas, Luís Montenegro anunciou a intenção de avançar com o “Distrito Económico e Empresarial do Porto”, que vai implicar uma “reorganização urbana” na zona industrial de Ramalde, com o objetivo de “direcionar aquele território para um potencial que junte aquilo que já existe do ponto de vista industrial, com novas utilizações e enquadramentos, nomeadamente no que diz respeito a empresas tecnológicas”.
Pedro Duarte acrescentou que o futuro “Distrito Económico e Empresarial do Porto” será “um enorme projeto de incentivo à dinamização económica”, onde serão criados “até 35 mil novos postos de trabalho, essencialmente em empresas de base tecnológica”, e construídas “até seis mil novas habitações para a classe média”.
O autarca da Invicta está convicto de que a cidade “tem condições para ser um hub, um centro de empresas tecnológicas”, alavancando a economia de toda a AMP e “até a região Norte”.
Na “utopia” de Nuno Cardoso, para a ambicionada Zona Económica Especial Parque Ramalde preconizava-se “a nova economia que o Porto necessita para dar resposta aos seus jovens licenciados, e a habitação para os portuenses”. No programa para as autárquicas de outubro, o ex-autarca socialista chamava ao projeto para aquela zona da Invicta Zona Económica Especial (ZEE) Parque Ramalde.
Numa publicação no Facebook a 15 de setembro, Nuno Cardoso, um dos muitos candidatos nas autárquicas ganhas pelo social-democrata Pedro Duarte a 12 de outubro, escrevia: “Em 1990 quando o Fernando Gomes ganhou a Câmara a utopia era o Metro, conseguimos em três anos que o Cavaco Silva fizesse a empresa. Hoje a utopia é a ZEEP Ramalde bem mais óbvia e fácil de conseguir”. O desejo demorou menos de um ano a passar de “utopia” a promessa de concretização mas, desta feita, não com Aníbal Cavaco Silva, e sim com Luís Montenegro como primeiro-ministro.
Adicionalmente, nesta terça-feira, Pedro Duarte avançou com a “intenção de enterrar a atual avenida AEP para ligar as duas margens daquela zona industrial e [assim] criar um grande parque de habitação, de espaços empresariais, de serviços, [além de] espaço público para usufruto das comunidades, com áreas verdes, para a prática desportiva e utilização de mobilidade suave”.
Pormenores sobre os projetos, a haver, ficam, para já, no segredo dos governantes.
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