Exportações de alimentos e bebidas sobem até março apesar da quebra de 17,4% nos EUA

  • Joana Abrantes Gomes
  • 12 Maio 2026

Mesmo num contexto marcado por tensões económicas e desafios logísticos, a FIPA destaca que as exportações da indústria alimentar e das bebidas cresceram 11%, em termos homólogos, só no mês de março.

As exportações da indústria alimentar e das bebidas aumentaram 2,03%, para 1.964 milhões de euros, no primeiro trimestre deste ano face ao mesmo período de 2025. Segundo a Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), que cita dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações do setor registaram um crescimento homólogo de 10,98% só em março.

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Em comunicado, a FIPA indica que a União Europeia (UE) concentrou 1.350 milhões de euros do total das vendas dos produtos nacionais entre janeiro e março, mantendo-se, assim, como o principal destino das exportações da indústria alimentar e das bebidas. Entre os países do bloco comunitário que mais cresceram neste período, destacam-se a Bulgária (+35,1%), a Irlanda (+27,6%) e os Países Baixos (+13,7%).

Os mercados extra-UE, por sua vez, representaram 614 milhões de euros das exportações nos primeiros três meses de 2026, mais 2,48% do que no mesmo período do ano passado. Três países da CPLP sobressaem nesta evolução positiva, nomeadamente São Tomé e Príncipe (+24,3%), Cabo Verde (+18,0%) e Brasil (+16,4%)

Por outro lado, as exportações para Marrocos recuaram 21% face ao primeiro trimestre de 2025, enquanto as vendas para Angola registaram uma quebra de 4,9%. Para os Estados Unidos, a descida atingiu os 17,4%.

“Os números oficiais mostram uma indústria capaz de se adaptar, antecipar tendências e responder às exigências de consumidores cada vez mais informados, ao mesmo tempo que reforça a sua presença em mercados externos e contribui para transformar o perfil exportador da economia portuguesa”, aponta a FIPA no comunicado.

Apesar do contexto marcado por tensões económicas e desafios logísticos, o presidente da entidade que dá voz à indústria alimentar e das bebidas em Portugal acredita que o setor, responsável por mais de 116 mil postos de trabalho diretos e cerca de 500 mil indiretos, continuará a encontrar oportunidades de crescimento. Citado na mesma nota, Jorge Henriques defende “uma consolidação dos instrumentos ao dispor dos empresários para continuarem a sua afirmação internacional, numa política que vá além do apoio financeiro”.

Com o objetivo de ver o setor “crescer fora da Europa dos 27”, o responsável destaca ainda o papel estratégico que o Ministério da Economia, liderado por Manuel Castro Almeida, e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal poderão desempenhar na promoção internacional dos produtos portugueses.

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