Nuno Melo contra a criação de um exército europeu
O ministro da Defesa Nacional disse que é "tendencialmente contra um exército europeu", o que não invalida ser preciso "reforçar o pilar de defesa da NATO".
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou esta terça-feira que é “tendencialmente contra [a criação de] um exército europeu”, algo que tem sido apelado e defendido por alguns países europeus, com o aumentar das tensões geopolíticas tanto na Europa como no Médio Oriente.
“Devemos reforçar o pilar de defesa da NATO, que passa por dar melhores condições aos nossos militares, por modernizar e melhorar infraestruturas e equipamentos, por estarmos à altura das missões que nos são pedidas”, precisou o ministro da Defesa, em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião dos ministros da Defesa da União Europeia (UE), em Bruxelas.
Nuno Melo disse que reforçar estes aspetos “é diferente de um exército europeu”. Contudo, o ministro português esclarece que, ao ser contra a formulação de um exército comum europeu — a sua “posição sobre um exército europeu não mudou”, frisou —, isso “não invalida que no espaço da União Europeia não se articule aquilo que são aspetos fundamentais de uma defesa comum”.
Questionado sobre a possibilidade de Portugal alargar o contrato com a UE no âmbito da missão Aspides — operação naval do bloco europeu no Mar Vermelho em resposta aos ataques dos Houthi, lançada em 2024 —, o ministro da Defesa apenas adiantou que Portugal pode ponderar o “alargamento da participação, eventualmente”. “Ponderação que terá que ser feita a cada momento, tendo em conta as circunstâncias”, diz.
MNE defende que é “totalmente inviável” a criação de um exército europeu
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, defendeu esta terça-feira que é “totalmente inviável” a criação de um exército europeu, apontando para a necessidade de uma maior cooperação de dimensão atlântica em matéria de Defesa.
“Acho totalmente inviável a ideia de um exército europeu. Pode falar-se muito, mas é totalmente inviável. Pode é haver muito mais cooperação”, defendeu Paulo Rangel, no Porto, na conferência “40 Anos de Portugal na UE: Sucessos e Desafios”, que assinalou os 40 anos da adesão de Portugal às Comunidades Europeias.
“Aquilo que um país como Portugal, e com certeza muitos outros no contexto da Europa, desejariam, é que a Europa seja o corolário europeu da NATO e não ela própria uma aliança de defesa sem a colaboração do outro lado do Atlântico, e aí entra o Canadá e entram os Estados Unidos”, defendeu.
Espanha e Ucrânia defendem Exército europeu
A criação de um Exército europeu comum tem sido tema de debate entre os líderes europeus, impulsionado em grande parte pela desconfiança no compromisso dos Estados Unidos em auxiliar a Europa na defesa de ataques.
Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha, tem defendido a necessidade da Europa reforçar a sua autonomia em termos de defesa, com uma política externa de segurança e defesa comum. Nesse contexto, em abril, o governante defendeu que Europa devia avançar já “amanhã” para um Exército europeu, e “não em dez anos, nem em dois”.
Também o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já tinha apelado à criação de um “exército europeu” como próximo passo na defesa do seu país contra a invasão russa e na proteção dos países do Velho Continente contra ameaças externas.
“Se não o fizermos, quem é que os pode parar? Sejamos francos: hoje não podemos excluir a possibilidade de os Estados Unidos dizerem ‘não’ à Europa em questões que a ameaçam”, alertou Zelensky na altura, durante um discurso na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, que decorreu em fevereiro.
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