Roménia ameaça cancelar contratos do SAFE devido a “preços inflacionados” de equipamento militar
O ministro da Defesa da Roménia ameaçou cancelar os contratos do programa SAFE se os fabricantes de equipamento militar nacionais não reduzirem os "preços inflacionados".
A Roménia ameaçou cancelar os contratos no âmbito dos empréstimos europeus para gastos militares SAFE (Security Action for Europe) caso os fabricantes nacionais do setor de defesa não reduzam os “preços inflacionados”.
“Algumas empresas ofereceram exatamente o mesmo produto ao Ministério da Defesa antes do programa SAFE, mas quando souberam do programa da UE, aumentaram o preço em 30%, e não aceitaremos isso”, afirmou Radu-Dinel Miruță, ministro da Defesa da Roménia e vice-primeiro ministro do país, citado pelo Euractiv.
Bucareste já teve os planos de aquisição relacionados ao SAFE aprovados pelo Parlamento e submeteu todos os critérios operacionais a Bruxelas. Contudo, as negociações com os fornecedores estão cada vez mais tensas, à medida que os contratos se aproximam da assinatura, com Miruță a acusar as empresas de usarem os prazos para pressionar o Governo.
“Se as empresas acabarem por forçar o Ministério da Defesa a aceitar contratos com preços mais elevados, no final das contas o SAFE não será eficiente para a Roménia”, acrescentou o ministro romeno. “Obteremos dinheiro mais facilmente, mas com esse dinheiro seremos obrigados a pagar por algo que foi artificialmente inflacionado.”
O ministro da Defesa da Roménia adiantou que o país está preparado para realizar algumas aquisições através de outros países, recusando aceitar os custos mais elevados das empresas nacionais. “Estamos a analisar a documentação. Para as empresas que aceitarem os preços e as condições, assinaremos os contratos. Caso contrário, é possível que alguns contratos não sejam assinados”, alertou Miruță.
“O dia 31 de maio é o prazo final para aquisições individuais. Após essa data, poderemos avançar para aquisições conjuntas com outros Estados-membros da UE para o equipamento militar necessário”, vincou.
No começo deste mês, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Polónia e Lituânia serão os primeiros países a assinar os contratos no âmbito dos empréstimos europeus para gastos militares SAFE, que somam mais de 50 mil milhões de euros.
Portugal, que garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões no âmbito do SAFE, deverá assinar contratos no âmbito do SAFE em maio, segundo avançou em meados de abril no Parlamento o ministro da Defesa, Nuno Melo.
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