Três anos depois, venda do BPG continua num impasse, mas chineses reservam mais 15,5 milhões
Banco da Fundação Oriente admite que impasse na venda está a afetar a sua atividade. Três anos depois, chineses do VCredit ainda mantêm confiança na compra do BPG e acabam de reservar 15,5 milhões.
Três anos depois, mantém-se o impasse em torno da venda do Banco Português de Gestão (BPG), num negócio avaliado em mais de 20 milhões de euros (mais variáveis). O banco detido pela Fundação Oriente adianta ao ECO que “permanecem contactos com os potenciais compradores”, os chineses da VCredit, que acabaram de reservar mais 15 milhões para o negócio. Isto apesar de não haver nenhum processo em análise no Banco de Portugal, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO.
O BPG admite que a indefinição em relação a este processo está a afetar a sua atividade. A instituição liderada por João Costa Pinto fechou 2025 com prejuízos de 7,4 milhões de euros em novo ano com as contas no vermelho. Na mensagem deixada no relatório e contas do ano passado, Costa Pinto justificou o desempenho negativo com várias “condicionantes”, uma das quais “a expectativa da concretização da operação de alienação de 100% do capital do banco por parte do atual acionista – Fundação Oriente”. “Condicionante que limitou fortemente a margem de atuação da gestão, tanto no desenho como na execução, das políticas de risco e de negócio”, salientou.
No passado dia 4 de março, terminou o prazo que tinha sido acordado entre BPG e VCredit para a conclusão da operação, que não aconteceu dado que continua por cumprir a “condição regulatória” — isto é, a emissão de não oposição incondicional da parte do Banco de Portugal/Banco Central Europeu (BCE) ao negócio.
Não foi anunciado um novo prolongamento da chamada ‘long stop date’, como já tinha acontecido há um ano, mas o BPG adianta ao ECO que continua em conversações com o grupo chinês, “que mantém o interesse na operação”, pelo que a concretização da venda “foi adiada”. Neste momento, sabe o ECO, não há qualquer operação em análise no supervisor. O ECO questionou o Banco de Portugal sobre este negócio assinado em maio de 2023, que não faz comentários sobre processos específicos.
Com base nos termos do acordo celebrado há três anos, o negócio será feito com base na situação líquida do BPG quando se realizar a transação, sendo que os capitais próprios do banco ascendiam a 18,7 milhões de euros no final do ano passado. Os chineses, que já pagaram um sinal de um milhão de euros, vão ainda comprar a dívida subordinada (no valor de três milhões).
O valor final poderá atingir os 35 milhões de euros, atendendo ao cumprimento de determinadas variáveis, como a venda de imóveis e a recuperação de ativos por impostos diferidos.
Chineses reservam mais 15,5 milhões
Para o grupo chinês a aquisição do pequeno banco português, com uma carteira de 36 milhões de euros em crédito e uma base de depósitos de 94 milhões, servirá de porta de entrada para expandir operações na Europa. A ideia será saltar posteriormente para Espanha e depois para outros países europeus, segundo já tinha admitido o CEO do grupo, Stephen Liu.
O banco quer apostar na banca digital e nos segmentos de negócio do crédito ao consumo e gestão de património.
Talvez por isso o VCredit se mantenha paciente. Em novembro do ano passado, segundo revela no seu relatório de contas, uma subsidiária do grupo “constituiu uma reserva de investimento adicional de 15,5 milhões de euros para avançar com a aquisição da BPG”, em cima do sinal de um milhão, numa manifestação de confiança em relação ao processo.
Enquanto isso não acontece, será a Fundação Oriente, que detém mais de 99% do capital do BPG, que continuará “a assegurar a capitalização do banco a um nível suficiente para assegurar o cumprimento dos requisitos regulamentares em cada momento”, perspetiva a instituição portuguesa. Nos últimos anos a fundação liderada por Carlos Monjardino tem vindo a injetar dinheiro para o banco poder realizar a limpeza do balanço com rácios de capital em situação de cumprimento.
A administração liderada por Costa Pinto revela que não ficará de braços cruzados à espera. Diz que vai “continuar a privilegiar o reforço de uma cultura de prudência em relação à tomada de risco e de melhoria contínua do ambiente de controlo e conformidade”, mas “pretende elevar a escala a que opera o BPG sem comprometer capital em excesso sobre os requisitos obrigatórios”.
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