Administração da RTP vai ser ouvida na AR sobre apoio à deslocação de Alexandra Leitão ao Porto

+ M,

A administração da RTP vai também ser questionada a propósito da gestão da empresa, por se evidenciar “um grave quadro de instabilidade interna”.

A Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto aprovou esta quarta-feira o requerimento do PSD para ouvir a administração da RTP relativamente ao apoio à deslocação de Alexandra Leitão ao Porto, em veículo da estação pública, para participar no programa “Grande Debate”.

No requerimento é referido que “não estando em causa a relevância da participação de convidados nos conteúdos do serviço público de media, nem o normal funcionamento da atividade editorial, a utilização de recursos da RTP para este tipo de deslocações suscita, ainda assim, questões que importa esclarecer, designadamente quanto aos critérios adotados, à sua natureza e à sua extensão“.

Recorde-se que, segundo o Diário de Notícias apurou junto da RTP, a estação considera que assumir os custos de transporte e alojamento dos convidados é uma prática comum e inerente às necessidades de produção televisiva. O jornal revelou também que o deputado do PSD Bruno Vitorino, que participou no mesmo debate, também recebeu apoio à deslocação, assim como apoio à estadia. Situação semelhante terá acontecido com outros convidados, como a atriz Maria João Vaz.

Questionado pelo DN sobre a omissão do caso de Bruno Vitorino do requerimento, o PSD não prestou esclarecimentos, indicando apenas que os subscritores do requerimento não fariam comentários nesta fase.

Questionada pelo +M sobre a política de pagamento de deslocações dos convidados, a RTP respondeu apenas que está sempre disponível para ir ao Parlamento, prestar todas as explicações que os deputados considerem necessárias.

Em paralelo, a comissão aprovou por unanimidade o requerimento do Chega para ouvir a administração da RTP — assim como os diretores de informação da televisão e rádio — a propósito da gestão da empresa, por se evidenciar “um grave quadro de instabilidade interna”. Entre os motivos elencados estão a controvérsia à volta da nova imagem da RTP, a deterioração da situação financeira e a aprovação de recurso à greve em resposta à “‘proposta de corte salarial’ apresentada pela Administração”.

Durante a reunião desta quarta-feira foi ainda aprovado por unanimidade a audição da presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sobre o processo relativo à Benfica FM. O requerimento era do Chega.

“Independentemente da apreciação de mérito que venha a ser feita em sede própria, trata-se de um processo que, pela sua repercussão pública, pela natureza das questões suscitadas e pela relevância da atuação de uma entidade reguladora independente no domínio da comunicação social, justifica cabal esclarecimento perante a Assembleia da República”, lê-se no requerimento.

Recorde-se que a Benfica FM arrancou em dezembro, apenas com emissão digital, apesar de ambição desde o início de garantir aprovação da ERC para assegurar frequências analógica, algo que voltou a ser chumbado.

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