Exclusivo Altice reforça liquidez com conversão de 2,5 mil milhões de dívida da Meo em capital

Altice International promoveu este mês um aumento de capital de 2,5 mil milhões de euros na Meo, através de conversão de dívida intragrupo. Operação visou reforçar a posição de liquidez" do grupo.

Patrick Drahi controla a Altice International, que detém a Altice Portugal/MeoEPA/JEREMY LEMPIN
ECO Fast
  • A Altice International realizou um aumento de capital de 2,5 mil milhões de euros na Meo, convertendo dívida intragrupo em capital, para reforçar a liquidez do grupo.
  • A operação faz parte das "medidas proativas" anunciadas em novembro de 2025, que retiraram a operação portuguesa do alcance dos credores.
  • Enquanto isso, em França, termina esta semana o prazo para fechar a venda da Altice France a um consórcio composto pelas operadoras Bouygues, Free e Orange.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Altice International realizou um aumento de capital em espécie na Meo da ordem dos 2,5 mil milhões de euros, através de uma operação financeira de conversão de dívida intragrupo em capital, apurou o ECO. Com esta operação, levada a cabo no dia 8 de maio, o capital social da Meo Portugal S.A. disparou de cerca de 17 milhões de euros para 2,535 mil milhões de euros, segundo informações disponibilizadas no portal dos atos societários.

Instada pelo ECO a explicar esta operação, fonte oficial da Meo respondeu que o aumento de capital “ocorreu no âmbito do conjunto de medidas proativas anunciadas pela Altice International no final de novembro de 2025, com o objetivo de reforçar a posição de liquidez do grupo e contribuir para a sua estabilidade financeira de longo prazo”. A empresa esclareceu também que “este aumento de capital não decorre da contabilização de ativos específicos, mas sim da conversão de dívida intragrupo em capital”.

As “medidas proativas” referidas pela Meo foram dadas a conhecer aos investidores no dia 28 de novembro de 2025. Entre elas está a decisão do dono do grupo, Patrick Drahi, de retirar os seus principais negócios, incluindo a operação em Portugal e na República Dominicana, do conjunto de ativos que serviam de garantia para as suas dívidas. Na prática, estes negócios, que representam 80% dos resultados da Altice International, passaram a ser designados como subsidiárias “sem restrições”, ficando fora do alcance dos credores, numa manobra considerada “superagressiva” por investidores ouvidos então pelo Financial Times.

Simultaneamente, na mesma altura, a Altice International pôs em marcha uma “avaliação estratégica” do seu portefólio de ativos: “Esta análise irá avaliar potenciais opções de alienação nos próximos anos, com o objetivo de reforçar a flexibilidade financeira e apoiar as iniciativas mais amplas da estrutura de capital da Altice International”, afirmou a empresa num comunicado. Processo que avançou cerca de um ano depois de se saber do falhanço das negociações para vender a Altice Portugal à Saudi Telecom.

A Altice indicou também que reservou dois mil milhões de euros “de capacidade adicional para nova dívida na Altice Portugal”. “Esta capacidade adicional destina-se a reforçar ainda mais a liquidez e a apoiar a revisão estratégica e eventuais processos subsequentes de alienação, assegurando que estes possam ser executados de forma a maximizar o valor”, lia-se na mesma nota. Em cima destas novidades, anunciou que uma das unidades da Altice Portugal concluiu um financiamento de 750 milhões de euros para pagar dívidas da casa-mãe, bem como para fundo de maneio.

O grupo Altice tem estado sob pressão nos últimos anos, devido à sua avultada dívida, em particular desde a escalada das taxas de juro. A Altice International, o ramo que comanda a Altice Portugal — que por sua vez detém a Meo — é o menos endividado de todo o grupo, com ligeiramente menos de oito mil milhões de euros de passivo líquido, com um juro médio de 5,8%, segundo as últimas contas da empresa.

No conglomerado está ainda a Altice France, dona da operadora francesa SFR, ativo que Drahi está em vias de vender a um consórcio de empresas concorrentes por 20,35 mil milhões de euros, estando a decorrer negociações exclusivas com a Bouygues, Free e Orange até ao próximo dia 15 de maio. A Altice France fechou 2025 com uma dívida líquida de 15,6 mil milhões.

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