Caixa paga 3,625% em emissão ‘verde’ de 500 milhões

  • ECO
  • 13 Maio 2026

Banco liderado por Paulo Macedo realizou esta quarta-feira uma operação de financiamento sustentável de 500 milhões de euros e pela qual vai pagar uma taxa de juro de 3,625%.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) concretizou esta quarta-feira um emissão de obrigações verdes no montante de 500 milhões de euros, títulos com o prazo de seis anos e pelos quais vai pagar uma taxa de juro de 3,625%, segundo um comunicado enviado ao mercado ao final da tarde.

A operação contou com uma forte procura, de 109 ordens superiores a 1,9 mil milhões de euros, ou seja, “cerca de quatro vezes” mais do que o montante emitido pelo banco público. Facto que ajudou a baixar o prémio exigido pelos investidores para 73 pontos base – após um spread inicial indicativo na casa dos 100 pontos base. Somando a taxa de “mid swap” a 6 anos, que negoceia atualmente nos 2,95%, a Caixa suportará uma taxa de juro de cerca de 3,7%.

Na distribuição geográfica da colocação junto dos investidores destacaram-se Reino Unido e Irlanda (28%), França (26%), Benelux (19%), Península Ibérica (16%) e Alemanha, Áustria e Suíça (9%)”, indica a nota publicada no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Cerca de 76% do total da emissão foi tomada por “fundos de investimento, seguradoras e fundos de pensões”.

Esta emissão de dívida sénior preferencial (senior preferred) conta com uma estrutura 6NC5 – um prazo de seis anos com possibilidade de reembolso antecipado ao fim de cinco. CaixaBI, Commerzbank, Crédit Agricole, HSBC, JP Morgan e UBS foram os bancos contratados para esta operação.

A estrutura 6NC5 é cada vez mais comum entre os grandes bancos europeus: permite ao emitente beneficiar de uma maturidade alargada mas reserva, ao mesmo tempo, a opção de resgatar os títulos passados cinco anos caso as condições de mercado sejam favoráveis.

No caso da CGD, o formato green bond obriga a que os fundos captados sejam canalizados exclusivamente para projetos com impacto ambiental positivo, como o crédito à habitação em imóveis com certificação energética de classe A ou A+, ou o financiamento de projetos de energias renováveis.

Esta é terceira emissão verde da instituição liderada por Paulo Macedo, enquadrando-se igualmente no plano de cumprimento dos requisitos MREL (Minimum Requirements for own funds and Eligible Liabilities), a exigência europeia que obriga os bancos a manterem uma almofada de dívida passível de absorver perdas em caso de resolução.

A emissão recebeu um rating de “A” pela S&P Global Ratings, que reflete a solidez financeira do banco público e facilita a colocação junto de investidores institucionais como fundos de pensões e seguradoras.

O apetite do mercado pela dívida verde da CGD tem sido consistentemente elevado: na última emissão equivalente, realizada em setembro do ano passado, a procura superou 3.800 milhões de euros, mais de sete vezes o valor disponível, o que permitiu ao banco comprimir o spread e fixar o cupão em apenas 3%, uma redução superior a 275 pontos base face à emissão homóloga de 2022, quando pagou 5,75%.

(notícia atualizada às 19h36)

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