Compra de 90% da ITA “em nada invalida o processo da TAP”, garante Lufthansa
"Vamos continuar a crescer e a ITA é um caso de sucesso e, portanto, em nada invalida o processo da TAP”, assegura Paulo Geisler, CEO da Lufthansa Ground Services Portugal (LGSP).

A anunciada compra de uma participação maioritária na italiana ITA Airways pela Lufthansa não compromete a proposta de aquisição da TAP nem sequer vai enfraquecer o hub de Lisboa, afirma o grupo alemão. Pelo contrário, este último e o de Milão “são complementares”, garantiu esta quarta-feira no Porto, Paulo Geisler, CEO da Lufthansa Ground Services Portugal (LGSP).
À margem da sessão comemorativa dos 45 anos de voos para o Porto e 15 anos da Lufthansa LGSP, que aconteceu no Auditório da ANA, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em Pedras Rubras, Paulo Geisler assegurou: “O nosso CEO Carsten Spohr disse recentemente que queremos continuar a crescer, vamos continuar a crescer e que a ITA é um caso de sucesso e, portanto, em nada invalida o processo da TAP”.
O grupo Lufthansa anunciou esta terça-feira que vai exercer, em junho, a opção de compra de uma participação maioritária na italiana ITA Airways, aumentando a participação de 41% para 90%, por 325 milhões de euros.
Questionado pelos jornalistas acerca de um possível impacto do negócio da ITA nos planos do Grupo aéreo alemão como candidato para a privatização da TAP, Paulo Geisler garantiu que uma coisa “não tem nada a ver” com a outra, e nem sequer o hub de Milão irá enfraquecer o hub de Lisboa.
“Não, de maneira alguma. [Os dois ‘hubs’] são complementares, como todos os ‘hubs’ do grupo Lufthansa. Todas as empresas do grupo são complementares e, portanto, [em] nada vai enfraquecer, antes, pelo contrário”, assegurou, lembrando que “há 20 anos que a TAP faz parte da Star Alliance”.
A Lufthansa é muito forte a nível de compra e de previsão de necessidades de combustível e, portanto, até ao último trimestre não vamos ter problemas nenhum de combustível.
O responsável notou ainda que a LGSP “está há 15 anos em Portugal e [bem antes deste processo de] privatização da TAP, com 360 profissionais especializados”, apoiando remotamente mais de 350 aeroportos e agentes de viagens em todo o mundo.
O grupo Lufthansa foi convidado pelo Governo a apresentar uma oferta vinculativa para a privatização de 49,9% do capital da TAP, dos quais 5% se destinam prioritariamente aos trabalhadores. Também a Air France-KLM foi convidada a formalizar uma proposta.
No verão deste ano, o Lufthansa Group disponibilizará “até 120 voos semanais a partir do Porto, mais 7% do que no verão de 2025, para mais de 330 destinos globais através do sistema ‘multi-hub’ do grupo, como avançou Thomas Ahlers, general manager sales do Grupo Lufthansa em Portugal, durante esta ação de charme. Estas apostas demonstram que “o Lufthansa Group está a apoiar o turismo, o comércio e o investimento entre o Norte de Portugal, a Europa Central e o resto do mundo”, sustentou.
Para que não restem dúvidas, Paulo Geisler assegurou, por sua vez, que “os próximos meses estão garantidos” no que diz respeito ao abastecimento de combustível. “A Lufthansa é muito forte a nível de compra e de previsão de necessidades de combustível e, portanto, até ao último trimestre não vamos ter problemas nenhum de combustível”, vincou.
Questionado pelos jornalistas a propósito do anúncio do cancelamento de 20.000 voos até outubro devido à escalda do custo do petróleo a reboque da guerra entre o Irão e Estados Unidos, o CEO da LGSP explicou que estes voos apenas representam “1% dos voos do grupo” e que “o impacto em Portugal foi zero”.

Nesta ação de charme que teve lugar no aeroporto e que incluiu um momento simbólico na porta de embarque, associado à operação do voo LH1177, o grupo alemão pretendeu demonstrar a “relação de longa data” que mantém com a cidade do Porto e a região Norte, “marcada por continuidade, investimento e compromisso com a conectividade aérea em Portugal”.
Paulo Geisler assinalou, inclusive, o facto de a Lufthansa ter sido “a única companhia que nunca deixou de voar para o Porto, nem na [pandemia] da Covid-19, nem [sequer] durante as cinzas vulcânicas que houve aqui, em que [o grupo] foi inovador e fez voos da Lufthansa com autocarros para a Alemanha, para garantir a conectividade”.
Igualmente Rui Alves, diretor do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, destacou a relevância da parceria com o grupo alemão em prol da “conectividade da região Norte, tanto na mobilidade de passageiros, como no apoio às cadeias logísticas e à atividade empresarial”.
Neste ponto, a Lufthansa Cargo garante acompanhar o desenvolvimento da operação do grupo em Portugal, contribuindo para a ligação das empresas portuguesas aos principais mercados internacionais. “A conectividade aérea é essencial não apenas para passageiros, mas também para empresas e cadeias logísticas”, começou por destacar, por sua vez, Luísa Santos, Country Manager Lufthansa Cargo Portugal.
Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira “totalmente independente” da privatização da TAP
O CEO da Lufthansa Technik Portugal garantiu que a construção da fábrica de manutenção de aviões do grupo alemão em Santa Maria da Feira, que envolve um investimento de 309 milhões de euros e a criação de cerca de 700 empregos até 2030, é “totalmente independente” do resultado do processo de privatização da TAP. A construção da unidade — dedicada à reparação de motores e componentes de aviões — deverá arrancar “em junho”.
“A decisão da Lufthansa Technik foi totalmente independente das outras atividades da Lufthansa”, explicou Torsten Raabe à margem da sessão comemorativa dos 45 anos de voos da Lufthansa para o Porto e 15 anos da LGSP, que aconteceu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
O investimento na fábrica representa um reforço da presença do grupo em Portugal, que “estava a procurar na Europa o lugar onde queria crescer” e “o lugar perfeito foi Portugal”, designadamente Santa Maria da Feira, onde existe “a infraestrutura certa”, sustentou.
“A Lufthansa Technik Portugal é um exemplo claro da confiança do Grupo Lufthansa no talento, na capacidade técnica e no potencial industrial do Norte de Portugal“, notou o CEO da Lufthansa Technik Portugal.
É a partir de Santa Maria da Feira que a empresa se encontra “a desenvolver uma operação altamente especializada, que contribui para a criação de emprego qualificado e para o reforço da posição de Portugal no setor aeronáutico europeu”.
Uma vez que já a unidade já obteve luz verde da Agência Portuguesa do Ambiente, a construção deverá arrancar “em junho” e a produção no início de 2028, segundo avançou o CEO. Enquanto isso, a empresa começou já a operar a 1 de abril deste ano, em instalações arrendadas, com 75 trabalhadores.
Entretanto, a empresa está a avançar com “parcerias com escolas de formação e universidades para formar a força de trabalho”, de modo a ter 200 pessoas treinadas e prontas a trabalhar quando a produção arrancar nas novas instalações.
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