Draycott vai lançar fundo de fundos para “democratizar ativos privados”
Francisco Guimarães Neto, ex-líder da BlackRock em Portugal, foi contratado para liderar a nova fase de crescimento da private equity, que envolve aproximação ao investidor institucional e de retalho.
A Draycott está a preparar o lançamento de um novo veículo de investimento – um fundo de fundos – para abrir o leque da gestão de ativos a mais investidores. A sociedade de capital de risco e private equity portuguesa está a adaptar a oferta para dar mais resposta a investidores individuais que recorrem à banca privada (private banking), evoluindo de uma típica gestora de ativos para uma plataforma de investimento mais completa.
A empresa fundada e liderada por João Coelho Borges, que tem 745 milhões de euros sob gestão, está a criar um vertical de “Fund of Funds”. O instrumento funcionará como “peça central” para um processo que denomina de “democratização dos ativos privados” ao expor o investidor individual a outro tipo de negócios por via de um único investimento.
“Estamos a definir dois conceitos. Um fund of funds para um tipo de investidor de caráter mais institucional, que queira ter esta concentração num só veículo de acesso a vários veículos globais europeus, mas também estamos a preparar uma solução mais orientada para o retalho que, normalmente, requer um produto com janelas de resgate”, revelou ao ECO o responsável de Relação com os Investidores da Draycott, Francisco Guimarães Neto.
O investidor deixa de ser obrigado a seguir várias estratégias de investimento e passa a poder fazê-lo apenas através de um veículo. Geralmente, é um modelo utilizado para reduzir o risco de concentração ou quando não há, em termos operacionais, capacidade para seguir uma multiplicidade de carteiras. Contudo, esta era do ‘milagre financeiro’ também comporta riscos.
“Por um lado, vai dar acesso a players globais, através de um veículo único (local). Por outro, ao agregar esta exposição a vários, simplifica, do ponto de vista operacional, porque em vez de o cliente final ter várias exposições ad-hoc tem tudo concentrado num só veículo”, explica a mais recente contratação da Draycott. Os detalhes desta viragem da Draycott para os afortunados que recorrem à banca privada ficarão para depois, porque ainda estão a ser alinhavados.
Estamos a delinear a solução com essas duas vertentes, tanto para um investidor mais mass market para distribuição em bancas privadas, mas também para um investidor mais institucional que queira externalizar esta seleção. Ou seja, que não tenha capacidade interna de dizer “quero selecionar o fundo A, B ou C”, portanto queira delegar.
O objetivo é captar clientes de private banking com capital parado no banco possa ser encaminhado para outro género de fundos, investimento imobiliário ou consolidação de empresas. Logo, evoluir do modelo de boutique centrada só nos grandes negócios de capital de risco e private equity ou reestruturação empresarial. Por essa razão, a escolha de Francisco Guimarães Neto, com experiência em gigantes da gestão de ativos, como BlackRock e Schroders entre Lisboa e Madrid, não pode ser dissociada deste processo de mudança interna na sociedade com sede em Lisboa.
Questionado sobre a saída da BlackRock, que aconteceu três meses após ser nomeado sucessor de André Themudo, Francisco Guimarães Neto explicou que “liderava o negócio em Portugal da BlackRock, toda a operação em Portugal, e tudo estava a correr bastante bem, mas esta oportunidade fez sentido” pelo desígnio de crescimento estratégico.
“Por um ponto em concreto: poder participar num claro projeto de expansão. Vem alinhado com o que acho que é o next step da indústria de gestão de ativos, a democratização dos ativos privados”, começou por dizer.
“Acho que a indústria de gestão de ativos está a evoluir para um modelo mais híbrido, em que o cliente final (o investidor final) quer, cada vez mais, inserir ativos privados dentro das suas carteiras, que hoje em dia, nomeadamente em Portugal, são dominadas por ativos líquidos”, assinalou.

Francisco Guimarães Neto admite que as empresas internacionais também querem – e vão continuar a querer – participar nesta “versão 2.0” da gestão de ativos, mas considera que uma organização made in Portugal pode ser um “player de bastante relevância” pela proximidade com a base de investidores locais desde 2019.
Na sua perspetiva, a Draycott “já conta com uma base de confiança de uma multiplicidade vasta de investidores”, quer de caráter institucional, quer fundos de pensões, ultra-high-net-worth-individuals ou family offices e “está preparada, em todas as ruas verticais do negócio, para participar neste processo de democratização”.
Em 2025, a Draycott fez o maior investimento de private equity de sempre em Portugal, ao comprar a empresa francesa de embalagens para perfumes Verescence por 490 milhões de euros.
No portefólio de venture capital, tem atualmente 90 empresas. Depois de adquirir participações maioritárias numa série de empresas, e ter em marcha um projeto residencial de luxo em Belém, na semana passada notificou a Autoridade da Concorrência sobre a aquisição da Square Asset Management, uma das maiores gestoras de ativos imobiliários do país.
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