Economia portuguesa trava no início de 2026 e tem quinto pior desempenho da UE

O PIB português teve o quinto pior desempenho da UE no início do ano, na variação em cadeia, embora continue a apresentar uma performance superior à média em termos homólogos.

A economia portuguesa teve o quinto pior desempenho da UE no arranque do ano, já marcado pelo início da guerra no Irão, ao registar um crescimento nulo na variação em cadeia, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat. Ainda assim, em termos homólogos, Portugal manteve uma performance acima da média da Zona Euro e da União Europeia (UE).

De acordo com a estimativa rápida do gabinete europeu de estatísticas, o PIB português registou uma variação trimestral nula no primeiro trimestre de 2026, depois de ter crescido 0,9% no último trimestre de 2025, 0,6% no terceiro trimestre e 0,7% no segundo trimestre do ano passado.

Portugal só compara melhor com cinco países da UE, ao ficar acima da Lituânia, que registou um crescimento negativo de 0,4%, da Suécia (-0,2%), Roménia (-0,2%) e Irlanda (-0,2%).

A travagem da economia nacional surge num contexto de abrandamento mais amplo na Zona Euro e na União Europeia. No conjunto dos 20 países da moeda única, o PIB cresceu apenas 0,1% em cadeia no primeiro trimestre, abaixo dos 0,2% registados no final de 2025. Na União Europeia, o crescimento foi de 0,2%.

Na comparação trimestral, Portugal ficou longe dos países mais dinâmicos da União Europeia no arranque do ano. Com uma variação em cadeia nula, a economia portuguesa surge apenas a meio da tabela entre os Estados-membros com dados disponíveis.

Vários países registaram crescimentos claramente superiores ao português no primeiro trimestre, liderados por Finlândia e Hungria, ambos com expansões de 0,9%, seguidos da Bulgária, com 0,7%, e de Espanha e Estónia, ambas com 0,6%.

Também economias como Alemanha (+0,3%), Itália (+0,2%) e Bélgica (+0,2%) conseguiram crescer mais do que Portugal no trimestre.

Com o crescimento estagnado, Portugal ficou ao nível de França, enquanto apenas alguns países apresentaram contrações da atividade económica, casos da Irlanda (-2,0%), Lituânia (-0,4%), Suécia (-0,2%) e Roménia (-0,2%).

Apesar disso, em termos homólogos, Portugal continua entre as economias europeias com maior crescimento. Face ao primeiro trimestre de 2025, o PIB português aumentou 2,3%, acima da média da Zona Euro, que ficou em 0,8%, e da média da União Europeia, de 1,0%.

Entre os países para os quais já existem dados disponíveis, apenas Chipre (3,0%), Bulgária (2,9%) e Espanha (2,7%) registaram crescimentos homólogos superiores ao português. Também Lituânia apresentou uma expansão expressiva, de 2,5%.

Já economias centrais da moeda única continuam a mostrar sinais de fraqueza. Alemanha, a maior economia europeia, cresceu apenas 0,3% em cadeia e 0,3% em termos homólogos. França ficou estagnada no trimestre e avançou 1,1% face ao mesmo período do ano passado. Itália cresceu 0,2% no trimestre e 0,7% em termos homólogos.

O caso espanhol continua a destacar-se no contexto europeu. A economia de Espanha avançou 0,6% face ao trimestre anterior e 2,7% em termos homólogos, consolidando-se como uma das economias mais dinâmicas da Zona Euro.

Os dados do Eurostat confirmam ainda uma desaceleração mais pronunciada da atividade económica europeia ao longo dos últimos meses. Na Zona Euro, o crescimento homólogo do PIB caiu de 1,6% no segundo trimestre de 2025 para 1,4% no terceiro trimestre, 1,3% no quarto trimestre e agora 0,8% no arranque de 2026. Na União Europeia, o abrandamento foi de 1,7% para 1,0% no mesmo período.

Fora da Europa, os Estados Unidos da América continuam a apresentar um ritmo de crescimento significativamente superior. A economia norte-americana cresceu 0,5% no primeiro trimestre face aos três meses anteriores, acelerando face aos 0,1% registados no final de 2025. Em termos homólogos, o crescimento foi de 2,7%.

Emprego continua a crescer, mas abranda

O relatório do Eurostat mostra também sinais de moderação no mercado de trabalho europeu. O número de pessoas empregadas aumentou 0,1% no primeiro trimestre de 2026, tanto na Zona Euro como na União Europeia, abaixo da subida de 0,2% observada no trimestre anterior.

Em termos homólogos, o emprego cresceu 0,5% na Zona Euro e 0,6% na UE. No final de 2025, os aumentos tinham sido de 0,7% e 0,6%, respetivamente.

O Eurostat sublinha que estes dados “fornecem uma imagem do fator trabalho consistente com as medidas de produção e rendimento das contas nacionais”, sugerindo que o abrandamento da atividade económica começa também a refletir-se na evolução do emprego.

Embora os dados detalhados do mercado de trabalho por país ainda não tenham sido divulgados nesta estimativa rápida, Portugal tem vindo a registar nos últimos trimestres níveis historicamente elevados de emprego e mínimos de desemprego, sustentados sobretudo pelos serviços, turismo e consumo privado.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Economia portuguesa trava no início de 2026 e tem quinto pior desempenho da UE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião