Manie compra Payper para ‘oferecer’ preços mais baratos na energia

O Manie, que permite comparar preços de energia e trocar de contrato, comprou a Payper. O objetivo é aumentar o número de utilizadores e poder oferecer melhores condições contratuais.

O Manie e a Payper são velhos conhecidos. Assim que André Pedro e Francisco Val Ferreira começaram a dar os primeiros passos para desenvolver o Manie, empresa e plataforma da qual são cofundadores, já a Payper existia, numa lógica semelhante. Deram-se logo os primeiros contactos, no sentido de aprender e partilhar experiências. A relação deu agora um salto, com a aquisição da Payper pela Manie, e está na calha uma nova ronda de financiamento.

“Na altura, quando começámos a falar, estávamos logo a tentar perceber em que modelos é que eventualmente podíamos trabalhar juntos”, conta Val Ferreira. Seguiu-se uma fase em que o Manie se focou em si próprio, em garantir que entregava um bom produto e experiência. As aproximações recomeçaram o ano passado, depois de o Manie sentir que estava a estabilizar, depois do ímpeto inicial.

A Payper oferecia um serviço “com bastantes semelhanças” àquele que era disponibilizado pela Manie. A empresa recém-adquirida também ajuda os consumidores a comparar tarifários de energia – eletricidade e gás –, mas acrescenta comparações de tarifários em setores como como as telecomunicações e os serviços de água. O que a Payper não tinha era o serviço de gestão automatizada dos contratos da Manie, o Auto Switch, que altera o vínculo contratual dos clientes que assim o desejem caso exista uma oferta mais barata disponível no mercado. O serviço da Payper também era prestado unicamente via web, em site, e não via aplicação móvel, algo que a Manie já oferece. “Tendo em conta a complementaridade das áreas, achámos que fazia sentido juntar forças”, afirma André Pedro.

O processo de aquisição vai ser faseado, mas já se iniciou, e o período de transição vai prolongar-se por cerca de seis meses. O passo seguinte depende da preferência do utilizador: pode manter conta nas duas plataformas, ou juntar todos os serviços do lado do Manie. Após o período de transição, a intenção é que o site da Payper passe a redirecionar para o Manie, centrando todos os serviços, mas mantendo o histórico que vinha da plataforma parceira. No caso da água, uma vez que a fatura depende de município para município e não das escolhas do consumidor, os fundadores do Manie entendem que não faz sentido continuar. “Irá ficar em pausa”, indica André Pedro. No que diz respeito ao setor das telecomunicações, para já fica do lado da Payper, para mais tarde ser assumido pelo Manie, idealmente este ano.

Tendo mais volume de clientes, conseguimos negociar melhores preços diretamente com as comercializadoras. Muitas vezes conseguimos condições muito melhores para os nossos clientes do que estando no mercado.

Então, quais os benefícios desta junção, do ponto de vista do utilizador? No que diz respeito aos clientes da Payper, vão ter acesso a um serviço “mais moderno”, incluindo o Auto Switch. Já os clientes do Manie, podem esperar “acesso a melhores preços”. Ao todo, quando estiver concluída a junção, a estimativa é que a base de utilizadores a usar o Manie, quer para simular quer para mudar de contrato, se situe entre os 150 a 170 mil utilizadores.

“Um dos grandes objetivos é de facto nós ficarmos como a principal plataforma de gestão de energia hoje em Portugal. E esta aquisição do Payper ajuda-nos nisso”, indica André Pedro. O ano passado, o objetivo foi passar a barreira dos 100 mil utilizadores, e foi conseguida. A nova barreira a ser “saltada” é a dos 200 mil.

Tendo mais volume de clientes, conseguimos negociar melhores preços [dos contratos de energia] diretamente com as comercializadoras”, explica André Pedro, para depois concluir: “Muitas vezes conseguimos condições muito melhores para os nossos clientes do que estando no mercado”.

Quando lançaram o Manie, os cofundadores indicaram que os utilizadores podiam poupar entre 50% a 60% no valor da fatura energética. De momento, em média, a poupança está à volta dos 30%, já que a maior redução acontece na primeira vez que se muda. Cerca de 32 mil utilizadores do Manie têm o Auto Switch ativo.

No que diz respeito às marcas, embora ainda esteja a ser avaliada qual a solução definitiva, o provável é consolidar debaixo da insígnia Manie. André Pedro e Francisco Val Ferreira asseguram que não há necessidade de cortar no número de trabalhadores.

O Manie prefere não avançar o valor da compra, mas indica que esta pressupõe conceder à atual dona da Payper, a consultora CSide, um valor fixo, ao qual depois acrescem determinadas quantias, à medida que são atingidos objetivos, como por exemplo um número específico de utilizadores transitados, ou a migração tecnológica entre as duas plataformas. O financiamento para a compra “foi interno”, angariado entre os acionistas do Manie. Além das participações minoritárias dos cofundadores, o Manie está debaixo da alçada, essencialmente, de três entidades: Shilling, Bynd e a alemã Heartfelt.

De olho em Espanha, EUA e em novo financiamento

Questionados se há outras aquisições em vista, os cofundadores do Manie garantem que, para já, estão “focados” nesta junção, mas não descartam outras hipóteses: “aparecendo alguma oportunidade que nós consideremos estratégica, vamos analisá-la”. E acrescentam: “já analisámos algumas empresas em Espanha que podem fazer sentido”. O Manie já opera em Espanha, mas ainda não à escala que gostaria, pelo que conta reforçar a equipa no sentido de apostar mais no país vizinho. Estão de momento à procura de alguém que passe a ser a cara do Manie em Espanha.

Já analisámos algumas empresas em Espanha [para aquisição] que podem fazer sentido.

Outra novidade que está “para breve”, idealmente para o pós-verão, é o lançamento de uma nova ronda de financiamento. Os valores ainda não estão fechados, mas deverão ser “substancialmente maiores” que aqueles obtidos na ronda anterior, na qual angariaram um milhão de euros: contam que supere os 5 milhões de euros.

Estamos a olhar não só para a Península Ibérica, mas também para o mercado dos Estados Unidos [para expansão].

Um dos objetivos da ronda é permitir a entrada em “mercados muito mais competitivos”.Estamos a olhar não só para a Península Ibérica, mas também para o mercado dos Estados Unidos, que está a passar por uma liberalização no mercado da energia que faz muito sentido para aplicações como a nossa”, explica André Pedro. Existem ainda “alguns mercados europeus” que fazem sentido para a Manie. “Em termos de priorização, ainda vamos definir”, indica.

Além de alavancar a expansão, a ronda de financiamento poderá ser utilizada para construir um assistente financeiro com base em inteligência artificial que ajude quer nas subscrições dos contratos quer de energia, prestando um serviço mais personalizado, quer em subscrições de outras áreas que a Manie pretende cobrir, dos seguros à telecomunicações.

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