Netflix investiu cerca de 115 mil milhões de euros em filmes e séries na última década

+ M,

A gigante de streaming afirma que, durante o mesmo período, contribuiu com mais de 277 mil milhões de euros para a economia global e criou mais de 425 mil empregos na produção audiovisual.

A Netflix revelou esta semana o seu impacto na área da produção audiovisual durante os últimos dez anos. De acordo com a gigante do streaming, foram investidos mais de 135 mil milhões de dólares (cerca de 115 mil milhões de euros) em filmes e séries, o que contribuiu com mais de 325 mil milhões de dólares (277 mil milhões de euros) para a economia mundial. Os dados fazem parte do relatório “Netflix Effect”, onde traça esse balanço.

A plataforma revela que só nas suas produções originais criou mais de 425 mil empregos no audiovisual. No total, entre 2015 e 2025, foram produzidos séries de televisão e filmes em mais de 4.500 cidades e vilas em mais de 50 países em todo o mundo. Durante a última década, a produção audiovisual envolveu mais de 2.000 produtoras. Como exemplo, nota que as cinco temporadas de Stranger Things criaram mais de oito mil empregos — incluindo mais de 200 duplos que trabalharam apenas na temporada final. A Netflix destaca ainda que mais de 3.800 fornecedores de quase todos os estados norte-americanos ajudaram a dar vida à série.

Em relação ao licenciamento de conteúdo, nota que mais de 75% do seu portefólio é composto por esse tipo de conteúdo, tendo licenciado conteúdo de mais de 3.000 empresas, incluindo estações de televisão pública. Além disso, 70% de todas as visualizações da Netflix em 2025 vieram de utilizadores que viram um título de um país que não só o seu. Se em 2015, o conteúdo não inglês compunha 10% do total de visualizações da plataforma, no ano passado esse valor atingiu os 33%. A Netflix revela que as suas séries e filmes estão dobrados em 36 línguas e contém legendas em 33 idiomas.

Sobre o impacto do serviço de streaming em Portugal, quando questionada pelo +M, a Netflix refere que o relatório é focado nos dados globais, mas traça também um balanço da atividade da empresa no país. Por exemplo, destaca a série Glória, o primeiro projeto original português da Netflix. Lançada a 5 de novembro de 2021, a série foi produzida pela SPi, em coprodução com a RTP, e criada por Pedro Lopes, com realização de Tiago Guedes.

Outro dos destaques foi a série Rabo de Peixe, que estreou na Netflix em maio de 2023, tornando-se a segunda série portuguesa original do serviço. Produzida pela Ukbar Filmes e criada por Augusto Fraga, que co-realizou com Patrícia Sequeira, a série baseia-se num evento real ocorrido em 2001: o naufrágio de um veleiro com meia tonelada de cocaína que deu à costa da vila açoriana de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel. A série foi filmada nos Açores e em Mafra.

De acordo com os dados da gigante do entretenimento, a primeira temporada de Rabo de Peixe permaneceu duas semanas no Top 10 global das séries em língua não inglesa da Netflix e nove semanas no Top 10 das séries portuguesas, das quais cinco semanas no primeiro lugar. Além disso, a série entrou no Top 10 em 15 países, incluindo Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Uruguai, Malta, Luxemburgo, Croácia, Itália, Grécia e Bahamas.

Sobre a segunda temporada, nos primeiros seis meses após o lançamento, Rabo de Peixe acumulou 31,5 milhões de horas de visualização global, figurando entre as 500 séries mais vistas mundialmente nesse período. Durante as primeiras semanas, a série chegou a ocupar a 6.ª e a 7.ª posições no Top 10 mundial da Netflix, sendo um sucesso em 33 países.

Impacto na capacitação da indústria criativa

A gigante nota que, a nível mundial, realizou nos últimos cinco anos mais de mil programas e eventos destinados à capacitação da indústria audiovisual, atingindo mais de 90 mil participantes em mais de 75 países.

Em Portugal, a Netflix destaca o concurso para argumentistas lançado em 2020 em colaboração com o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA). De entre as mais de mil candidaturas realizadas, um dos dez vencedores foi Augusto Fraga, com o argumento que mais tarde viria dar origem à série Rabo de Peixe.

Dois anos depois, no âmbito do seu Fundo para a Criatividade Inclusiva, lançou em 2022, um concurso público, em colaboração com a Academia Portuguesa de Cinema, para promover longas-metragens de ficção e documentário realizadas, escritas ou produzidas por Mulheres e concluídas em 2019 e 2020. Entre 31 candidaturas, as cinco longas-metragens vencedoras foram:

  • A Metamorfose dos Pássaros — Catarina Vasconcelos na realização e Joana Gusmão na produção
  • Soa — Raquel Castro na realização e argumento e Isabel Machado, Joana Ferreira e Sara Serra Simões na produção
  • Mar — Margarida Gil na realização e argumento e Rita Benis como coargumentista
  • Simon Chama — Marta Sousa Ribeiro na realização e Joana Peralta na produção
  • Desterro — realização de Maria Clara Escobar

Em 2023, a Netflix foi também parceira no desenvolvimento da iniciativa “Pitch Me!”, que teve como objetivo a descoberta de argumentistas emergentes, através de um Programa de Desenvolvimento de Escrita para Cinema e Audiovisual no formato de residências e mentorias.

A plataforma destaca ainda que Portugal tem vindo a afirmar-se como um destino privilegiado para diversas produções da Netflix, já aparecendo em mais de 20 produções, desde os documentários, como Our Planet (2019) e Soy Georgina (2022), mas também em séries e filmes, tendo por exemplo “Whindersson Nunes: Isso Não é um Culto” (2023), Heart of Stone (2023) e Damsel (2024).

Metodologia

Para a construção do relatório, a Netflix mediu o valor económico direto, indireto e induzido gerado pelos gastos operacionais e de conteúdos da Netflix em países de todo o mundo, desde 2016 até ao final de 2025. Esta contribuição para o PIB, ou o Valor Acrescentado Bruto (VAB), mede o valor acrescentado à economia como resultado dos seus investimentos, incluindo a produção de séries e filmes.

Estes valores de contribuição incluem o impacto de:

  • Gastos diretos em empresas — ex.: fornecedores, equipas técnicas, parceiros operacionais
  • Gastos indiretos relacionados com os próprios fornecedores dos nossos parceiros ao longo de toda a cadeia de abastecimento
  • A parcela induzida do consumo das famílias, relativa aos salários auferidos através de trabalho relacionado com a Netflix

As estimativas não incluem fatores como o aumento do turismo, nem qualquer negócio de venda de mercadorias temáticas ou experiências geradas pelas produções.

Foram ainda medidos o número total de postos de trabalho para elenco e equipa técnica contratados pelas produções da Netflix a nível global, incluindo funções distintas de duração total — ex.: elenco fixo e equipa técnica contratada para a duração de uma produção — e funções de curta duração — ex.: atores diários, figurantes e outras contratações temporárias.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Netflix investiu cerca de 115 mil milhões de euros em filmes e séries na última década

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião