Pequenas comercializadoras de energia protegem-se da guerra com contratos mais curtos, diz Manie

O Manie, plataforma que facilita a troca de comercializador de eletricidade e gás, indica que, face à incerteza criada pelo Irão, há comercializadoras a fixarem preços por prazos mais curtos.

O conflito no Irão, apesar de não estar a fazer-se sentir imediatamente nos preços da energia cobrados aos consumidores domésticos, está a levar algumas comercializadoras mais pequenas a protegerem-se. A Manie, comparador de preços de energia que, além de simular, facilita a mudança de contratos, assinala que comercializadoras mais pequenas têm optado por fixar os preços por períodos mais curtos, e registam alguns casos em que caíram novas ofertas tarifárias que estavam previstas. Em Espanha, algumas entidades deixaram de firmar novos contratos de fornecimento de gás.

Em entrevista ao ECO/Capital Verde, a propósito da aquisição da empresa Payper, os cofundadores do Manie indicam que em março, o primeiro mês após os Estados Unidos e Israel iniciarem a guerra no Irão, notaram um pico de visitas no site. “Tivemos imensas mudanças [de contrato, efetuadas através do Manie] em março“, conta André Pedro, cofundador da plataforma. O Manie registou mais atividade no último mês de março do que em janeiro, que era tipicamente o mês mais ativo.

Este abril, ainda marcado pela guerra, foi também “bastante mais forte” que o mesmo mês do ano anterior. Outra diferença a assinalar é um aumento das questões que chegam ao apoio ao cliente.

As comercializadoras continuam com preços extremamente competitivos, não alteraram muito, ou não aumentaram, neste último mês e meio. O que temos visto é uma tendência, especialmente para as mais pequenas, de colocarem o preço fixo por um período mais reduzido“, afirma André Pedro.

Tipicamente, os contratos de eletricidade e gás têm um preço fixo durante um ano, mas as comercializadoras que têm uma expressão mais pequena, ou que não têm produção, ou ainda que possuem menos clientes e portanto têm mais risco operacional, estão a fixar preços por períodos mais reduzidos, de apenas três meses. “Isso temos visto que tem sido mais comum do que era”, indica o responsável da plataforma, sublinhando que são casos de empresas com uma expressão reduzida no mercado.

Ainda em março, o Manie registou casos em que se previam novas ofertas que depois não chegaram a materializar-se. Em paralelo, em Espanha “houve várias comercializadoras que deixaram de aceitar novas adesões para tarifários de gás”. Situação que se mantém em maio, com comercializadoras do outro lado da fronteira a continuarem a recusar novos contratos de gás. Trata-se, novamente, de comercializadoras mais pequenas, explica a Manie.

Ainda no primeiro mês de guerra no Irão, o preço dos tarifários fixos em Espanha, que geralmente “varia ou mensal ou trimestralmente”, mudava “duas a três vezes por semana” na componente do gás. “Víamos isso a acontecer com mais regularidade do que cá em Portugal”. Em Portugal, que além de uma elevada penetração de renováveis no mix energético não está particularmente exposto ao Médio Oriente na importação de gás, “houve poucas alterações nos tarifários”.

Daqui para a frente, os preços da fatura da luz e do gás são difíceis de prever: vai depender de como os preços do gás evoluírem, e das medidas de mitigação que sejam tomadas perante eventuais aumentos. Face a este cenário, a Manie deixa dois conselhos. “Se tiverem a oportunidade de ver agora um bom tarifário fixo, fixem”, diz Francisco Val Ferreira.

Tirar partido de um tarifário indexado, que flutua ao sabor dos preços de mercado, exige “muita atenção” para reagir face a alterações relevantes no preço, e a Manie regista uma procura mais reduzida por este tipo de tarifários. “É difícil perceber se vai haver um aumento dramático por causa disto ou não. O mercado não parece estar a indicar isto, mas é sempre difícil de saber“, conclui Val Ferreira.

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