Portugal paga preço mais alto em 12 anos para se financiar a 10 anos
O Tesouro captou 1.426 milhões de euros em dois leilões de obrigações a 4 e 10 anos, com os investidores a cobrarem um preço recorde a 4 anos e o mais elevado desde 2017 na emissão a 10 anos.
Portugal voltou esta quarta-feira aos mercados de dívida de longo prazo para se financiar em 1.426 milhões de euros através de dois leilões de obrigações do Tesouro, a 4 e a 10 anos, em ambos os casos com taxas acima das verificadas em operações semelhantes mais recentes e com novos máximos históricos.
A operação de referência foi a emissão a 10 anos, em que o IGCP — Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, liderado por Pedro Cabeços, colocou 755 milhões de euros a uma yield de 3,452%. O valor representa um agravamento de 14,8 pontos base face à taxa de 3,304% paga num leilão idêntico realizado há pouco mais de um mês, a 8 de abril.
“O aumento na remuneração a longo prazo sinaliza um ajustamento das expectativas de mercado quanto às condições macroeconómicas e à perceção de risco no médio e longo prazo”, refere Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa.
A procura por esta linha foi de 2,05 vezes a oferta disponível, o que sinaliza interesse dos investidores, mas não impediu o Estado de ter de pagar mais para atrair capital. Mas o dado mais significativo desta sessão é histórico: esta foi a emissão a 10 anos mais cara para a República em 12 anos.
É preciso recuar até ao leilão de 23 de abril de 2014 para encontrar uma operação neste prazo com uma taxa ainda mais elevada. Nessa data, Portugal pagou 3,592% para se financiar em 750 milhões de euros através da linha OT 5,65% 15Fev2024, num contexto marcado pela recuperação pós-troika e pela pressão nos mercados de dívida periférica europeia.
Também o leilão a 4 anos bateu um recorde, mas ainda mais expressivo. O IGCP colocou 671 milhões de euros através da linha OT 0,475% 18Out2030 a uma yield de 2,834%, num leilão que atraiu uma procura 2,07 vezes acima da oferta.
O custo ficou quase 49 pontos base acima dos 2,347% pagos numa operação semelhante realizada há cerca de um ano, a 9 de abril de 2025, em que o Tesouro havia colocado 461 milhões de euros com uma procura 2,26 vezes superior à oferta.
Segundo os dados históricos de resultados de obrigações do Tesouro disponibilizados pelo próprio IGCP, esta foi a emissão a 4 anos mais cara desde pelo menos 2014 para a República portuguesa.
(Texto atualizado às 12h29 com declarações de Filipe Silva)
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