Propostas do PSD/CDS para atrair jovens para a defesa aprovadas
Propostas do PSD e CDS-PP para atrair mais jovens para o setor da defesa foram aprovadas em Assembleia da República, com viabilização do Chega e do Partido Socialista.
As propostas do PSD e CDS-PP para atrair mais jovens para o setor da defesa, os programas “Defender Portugal” e “Mente Forte”, foram aprovadas esta quarta-feira na Assembleia da República, com a viabilização do Chega e do Partido Socialista (PS).
Estas duas resoluções, apresentadas pelos partidos que sustentam o Governo, visam a criação de um programa de voluntariado jovem para a Defesa Nacional, com uma duração entre três e seis semanas destinado a cidadãos entre os 18 e 23 anos, prevendo uma retribuição única de 439 euros e a possibilidade de obtenção gratuita da carta de condução.
A ‘luz verde’ a estas propostas segue-se à aprovação na passada sexta-feira das propostas do PS e do Chega para este setor, que visavam um maior escrutínio sobre investimentos militares pelo Parlamento, mas também a criação de uma reserva voluntária das Forças Armadas constituída por cidadãos que já tenham desempenhado funções militares e com formação na área, propostas fortemente criticadas pelo ministro de Defesa, Nuno Melo.
“Brincar ao apoio às Forças Armadas” foi como Pedro Pinto, do Chega, classificou as propostas, com Hugo Oliveira do PS a criticar “medidas avulsas” e “marketing político”. Os dois maiores partidos da oposição acabaram, no entanto, por viabilizar as propostas. O programa “Defender Portugal” foi aprovado, com os votos contra de PCP, BE, Livre, JPP e PAN, e abstenção do PS e do Chega; enquanto o projeto de resolução “Mente Forte” obteve ‘luz verde’ no Parlamento com os votos contra do PCP, abstenção do PS e do BE. O Chega aprovou.
Durante o debate, Frederico Francisco reconheceu que é preciso “aumentar a consciência e matéria de defesa na sociedade”, sobretudo em consequência da invasão russa à Ucrânia e da atual conjetura internacional. Embora tenha apresentado dúvidas sobre se as soluções propostas pelo PSD e CDS respondem aos problemas de fundo no setor militar, o deputado do PS adiantou que o partido não iria fechar nenhuma porta.
A deputada Mariana Vieira da Silva criticou o nome de um dos programas, considerando que “mente forte” não é uma boa escolha, “porque um dos maiores problemas que existe nesta área é precisamente o do estigma”. Também o PCP manifestou desacordo com as resoluções do PSD e CDS, tendo Alfredo Maia considerado que estes dois partidos “insistem em apresentar ao país medidas que o país não pediu”.
Nuno Simões de Melo, referindo-se ao programa de voluntariado jovem para a Defesa Nacional, disse que o projeto “pretende incentivar os jovens a passar férias ativas nas fileiras das Forças Armadas”, questionando se os jovens que participarem no programa poderão ser apelidados de “escuteiros com esteroides”.
A única representante parlamentar do PAN, Inês Sousa Real, considerou que “apresentar esta proposta, é na verdade brincar com quem está neste ramo”, acusando que a atribuição gratuita da carta de condução equipara o recrutamento das Forças Armadas a “um recrutamento para a Carris ou CP”.
Militares arrasam proposta da AD
Na semana passada, ex-altos responsáveis militares criticaram a proposta do projeto “Defender Portugal”, afirmando que não é a acenar com 439 euros e a oferecer uma carta de condução que se resolve o problema da falta de efetivos.
Antigos chefes das Forças Armadas consideraram o projeto como “uma inutilidade”, “dar oxigénio a um corpo morto”, “um remendo”, “um bocado ridículo, face à dimensão do problema”, “uma coisa da Segurança Social para indigente”. O ex-chefe do Estado-Maior da Armada e ex-candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo fala em “mais uma medida de marketing político”.
“Parece-me um slogan, uma medida propagandística. Depois dos 439 euros e da carta de condução, que ligação fica às Forças Armadas? O que é isto? Criar uma espécie de escuteiros?”, questionou também na altura o general Pinto Ramalho, que foi chefe do Estado Maior do Exército entre 2006 e 2011.
(Notícia atualizada pela última vez às 18h27 com mais informação).
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