Wealth Report: Experiências de luxo resistem à travagem do consumo ‘premium’
Os números dos grandes grupos de luxo abrandam, mas no sector das viagens e hospitality o crescimento continua, diz o autor do Wealth Report ao ECO Avenida.

Pode chamar-se segmento alto, premium ou high end, mas já não se move todo à mesma velocidade, diz Liam Bailey, autor do estudo The Wealth Report da consultora imobiliária Knight Frank em entrevista ao ECO Avenida. “No pós-pandemia, os consumidores mais endinheirados têm dedicado mais do seu poder de compra às experiências, portanto viagens, hotelaria e por aí fora, e menos aos bens de luxo”, resume.
Os resultados dos grupos de luxo sustentam as palavras de Liam Bailey, em entrevista ao ECO Avenida. O mercado residencial prime, tal como os hotéis de superluxo e o bem-estar, continua a captar interessados enquanto os grupos de luxo apresentam crescimentos mais lentos, motivados também por um consumo mais moderado na China. É o que explica também a aposta da LVMH em hotéis Bvlgari ou da Kering na Osteria Gucci.

O relatório publicado pela Knight Frank, na sua 20.ª edição, mostra outras mudanças no mercado de investimento em luxo. “Os investidores ou colecionadores estão dispostos a pagar por bens de luxo se houver uma narrativa, uma proveniência, uma história por detrás do objeto que estão a comprar”, nota Liam Bailey, dando como exemplo os mais de 10 milhões de euros alcançados por uma mala que pertenceu a Jane Birkin num leilão da Sotheby’s.
O valor destas peças é, segundo Liam Bailey, um “desafio para os retalhistas de luxo”. “Expandiram enormemente os seus mercados na última década e estão agora a tentar perceber para onde vão a seguir, como é que preservam essa exclusividade num mercado em que registaram uma expansão tão rápida.”, explica ao ECO Avenida.
O novo mapa do luxo é, segundo o The Wealth Report, inseparável dos dados de mobilidade, cada vez mais acelerados. Segundo dados do The Wealth Report já publicados pelo ECO, o valor global das vendas de superiates com mais de 24 metros subiu 70% em 2025, para 8,5 mil milhões de dólares, enquanto as vendas de embarcações acima de 70 metros cresceram 60%.
Nos jatos privados, a VistaJet registou aumentos expressivos em rotas entre centros financeiros e destinos de segunda residência, com destaque para Abu Dhabi-Londres, que subiu 238%, e Nantucket-Nova Iorque, com uma subida de 192%. No primeiro trimestre de 2026, 47% dos novos utilizadores de jatos privados tinham menos de 45 anos. Estes movimentos revelam um estilo de vida multilocal, em que habitação, transporte e serviços formam uma mesma infraestrutura de riqueza, refere Liam Bailey.
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