Americanos fazem fila por relógios Rolex e Patek Philippe
A corrida dos milionários norte-americanos a relógios de luxo está a encher as contas da Watches of Switzerland, que soma recordes e projeta que as receitas cresçam até 10% no próximo ano.
- A Watches of Switzerland anunciou resultados recordes para o ano fiscal de 2026, impulsionados pela forte procura de relógios de luxo nos EUA.
- O grupo registou uma receita de cerca de 2,1 mil milhões de euros, com os EUA a representarem mais de metade das vendas, um crescimento de 24%.
- A empresa prevê um crescimento de receita entre 5% e 10% para o próximo ano, sustentada pela procura contínua por produtos de luxo.
Num mundo onde a incerteza económica e a volatilidade dos mercados financeiros ditam o humor dos investidores, o setor dos relógios de luxo teima em brilhar.
A Watches of Switzerland, o maior retalhista britânico de relógios de alta gama — de marcas como Rolex, Patek Philippe, Cartier e TAG Heuer –, anunciou esta quinta-feira resultados recordes para o seu ano fiscal de 2026, impulsionados sobretudo pelo apetite insaciável dos consumidores norte-americanos por peças de relojoaria suíça.
Na bolsa de Londres, onde as ações da empresa negoceiam, os títulos estão atualmente a subir 15% para máximos de dois anos e meio, numa sessão que reflete a euforia dos mercados face ao desempenho da retalhista.
O grupo registou uma receita total de cerca de 2,1 mil milhões de euros (1,83 mil milhões de libras) até 3 de maio de 2026, um crescimento de 13% face ao ano anterior, com os EUA a emergirem como o verdadeiro motor desta expansão.
“Os EUA continuam a ser o principal motor de crescimento, com uma receita de 1,24 mil milhões de dólares –um crescimento de 24% em moeda constante –representando agora mais de metade das vendas do grupo. Trata-se de um marco histórico no maior e mais dinâmico mercado mundial de relógios de luxo, alcançado em pouco mais de oito anos desde a nossa entrada nos EUA”, sublinha Brian Duffy, CEO da Watches of Switzerland em comunicado.
- Os relógios de luxo, que incluem as cobiçadas listas de espera de Rolex, Patek Philippe e Cartier, cresceram 13% sem evolução cambial, enquanto a joalharia de luxo avançou ainda mais, 18%.
- A nível estratégico, o grupo concluiu a aquisição da Deutsch & Deutsch — quatro espaços de venda no Texas ancorados na Rolex — e abriu três boutiques monomarca Roberto Coin nos EUA, em Nova Iorque, Las Vegas e Miami, reforçando a sua posição no segmento premium da joalharia.
- O comércio eletrónico também não ficou para trás, com as vendas online a crescerem 21% em moeda constante, beneficiando de um forte investimento em infraestrutura digital nos EUA.
Olhando para o futuro, a administração revela que entra no ano fiscal de 2027 com “confiança e forte dinamismo”, apoiados na “solidez” do seu modelo de negócio, na posição de liderança no mercado e “na procura duradoura nas categorias de luxo” em que opera, afirma Brian Duffy.
Para o próximo exercício, o grupo estima um crescimento de receita entre 5% e 10% em moeda constante, uma expansão da margem EBIT ajustada entre 40 e 80 pontos base e um capex (investimento em ativos de longo prazo) de 60 milhões a 70 milhões libras, num sinal de que, enquanto alguém continuar a querer Rolex e Patek Philippe nos pulsos, a Watches of Switzerland não tenciona abrandar.
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