Fundador da OutSystems critica entraves ao crescimento das empresas em Portugal e na Europa
Apesar das limitações, o fundador da OutSystems vê a dimensão reduzida do mercado português como uma vantagem, ao forçar os empreendedores a pensar globalmente desde o início.
O fundador da OutSystems, Paulo Rosado, defendeu esta quinta-feira que as empresas europeias enfrentam um conjunto de entraves estruturais que acabam por condicionar o seu crescimento, desde a forma como acedem a financiamento até à própria estrutura regulatória dos mercados.
“Temos uma série de restrições nos Estados europeus, especialmente em Portugal, que limitam os fundos, que restringem a análise, a direção e a forma como a empresa é criada, limitando bastante o tamanho do negócio”, disse o fundador do segundo “unicórnio” nascido em Portugal, na terceira edição da SIM Conference, que decorre até sexta-feira na Alfândega do Porto.
Temos uma série de restrições no Estado europeu, especialmente em Portugal, que limitam os fundos, que restringem a análise, a direção e a forma como a empresa é criada, limitando bastante o tamanho do negócio.
Paulo Rosado argumenta que este enquadramento regulatório e institucional torna particularmente difícil a criação de novos segmentos de mercado no espaço europeu. “Na Europa em geral, tudo exige esforço quando se tenta criar um submercado ou um nicho de mercado”, refere, apontando para um ambiente mais rígido e menos favorável à escalabilidade de projetos empresariais.
Ainda assim, o fundador da OutSystems – que o ano passado ultrapassou os 500 milhões de euros de faturação – considera que a dimensão reduzida do mercado português pode funcionar como uma vantagem estratégica. Na sua ótica, quem decide lançar uma empresa em Portugal é, desde o início, forçado a pensar em termos globais.
“Se realmente quiser ser um fundador ambicioso, começando em Portugal, tem de pensar desde o primeiro dia a nível global”, afirma, defendendo que o mercado interno “nunca será suficiente”.

Como exemplo dessa abordagem, Paulo Rosado que saiu da liderança executiva da empresa o ano passado e passou a presidente não executivo, recorda a estratégia adotada pela própria empresa, que apostou na internacionalização desde cedo.
“Quando entramos no sistema de descentralização, tínhamos cinco anos de existência e já estávamos presentes em 18 países diferentes”, destaca, sublinhando a importância de uma lógica de expansão rápida para ultrapassar as limitações do mercado de origem.
Fundada em 2001 por Paulo Rosado, em Linda-a-Velha, a OutSystems tem mais de dois mil clientes a nível mundial e mais de 500 parceiros, tendo-se juntado aos unicórnios portugueses em 2018.
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