Indra lidera consórcio para ligação quântica Portugal-Espanha. IP vai comprar estação ótica terrestre

Projeto europeu que une Portugal e Espanha na comunicação quântica foi apresentado esta quarta-feira. Espanhola Indra Space vai gerir as operações e a IP encarrega-se da componente terrestre.

O projeto europeu que une Portugal e Espanha nas comunicações quânticas foi oficialmente apresentado esta quinta-feira. A empresa espanhola Indra Space vai coordenar o consórcio e gerir as operações e a implementação técnica da futura ligação transfronteiriça que envolve fibra ótica, tecnologia de codificação quântica e uma componente espacial.

Designada IberianQCI – Iberian Quantum Communications Infrastructure, a iniciativa de arquitetura híbrida (Terra e Espaço) tem uma duração superior a três anos e visa interligar as infraestruturas nacionais de comunicações quânticas dos dois países, criando uma rede ibérica integrada e totalmente interoperável com a rede EuroQCI da União Europeia.

A parte terrestre inclui uma ligação transfronteiriça entre Vigo e Valença, enquanto a espacial implicará a instalação de três estações óticas em Madrid, Barcelona e em Portugal, ligadas ao segmento terrestre em Lisboa que comunicarão com a futura constelação SAGA.

No âmbito deste projeto, a Infraestruturas de Portugal (IP) e a IP Telecom ficarão encarregues da componente terrestre da infraestrutura ibérica de comunicações quânticas, por via da ligação transfronteiriça entre Valença e Vigo, que terá por base a rede de fibra ótica já existente no local e tecnologia de codificação quântica. Segundo a empresa que gere as infraestruturas ferroviárias e rodoviárias, estes parâmetros permitem “reforçar a conectividade entre Portugal e Espanha e assegurar elevados níveis de segurança e interoperabilidade na transmissão de informação crítica”.

O acordo prevê ainda que a IP compre uma das estações óticas terrestres (infraestruturas com telescópios modernos utilizados para rastrear e comunicar com satélites ou detritos do Espaço) previstas no projeto.

O módulo espacial abrange a instalação de estações óticas terrestres na região portuguesa do Minho e nas espanholas de Galiza, Madrid e Catalunha, que ficarão ligadas ao satélite Eagle-1 (baixa órbita terrestre) e integradas na rede EuroQCI. Neste caso, vão permitir ligações mais seguras entre países europeus não vizinhos e ultrapassar limitações da fibra ótica tradicional.

Quais são as limitações? Por exemplo, as ligações por fibra ótica ainda não permitem comunicações quânticas a distâncias superiores a 100 quilómetros, ao contrário dos satélites, que conseguem cobrir praticamente qualquer distância devido à menor atenuação do sinal no espaço livre.

Para o presidente da IP e da IP Telecom, Miguel Cruz, o IberianQCI não é só um projeto tecnológico, mas também “estratégico de infraestrutura”. “Trata-se de confiança. Trata-se de resiliência. Trata-se da capacidade da Europa para proteger aquilo que é essencial e a Infraestruturas de Portugal orgulha-se de fazer parte desta iniciativa e de ter assumido, de forma deliberada, o risco associado à inovação, porque acreditamos que este é o caminho, e a rede, do futuro”, afirmou Miguel Cruz, na apresentação que se realizou na sede da IP, no Pragal.

A Altice Labs vai ser responsável pela evolução e extensão da rede SDN – Software Defined Network. “As comunicações quânticas terão um papel central na proteção de dados críticos e no reforço da autonomia tecnológica europeia, e é estratégico que Portugal esteja na linha da frente desta transformação”, afirmou o diretor geral da Altice Labs, Paulo Firmeza.

A cerimónia contou ainda com uma intervenção em vídeo do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

O consórcio IberianQCI reúne entidades científicas, tecnológicas e industriais de Portugal e Espanha, incluindo a IP Telecom, Instituto de Telecomunicações, Altice Labs, Instituto Superior Técnico, Telefónica, Universidad Politécnica de Madrid, entre outras.

Notícia atualizada às 16h40 com informação da Altice Labs

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