Ministro da Saúde britânico demite-se, sem confirmar desafio à liderança de Starmer
Wes Streeting é o primeiro ministro do Governo de Keir Starmer a demitir-se, após quatro secretários de Estado também se terem demitido desde o início da semana na sequência da derrota do Labour.
O ministro da Saúde britânico, Wes Streeting, demitiu-se esta quinta-feira do Governo, mas sem confirmar se pretende desafiar o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na liderança do Partido Trabalhista (Labour).
Streeting é o primeiro ministro a demitir-se, numa altura em que Starmer enfrenta pressões para resignar ao cargo após os maus resultados do Partido Trabalhista na semana passada nas eleições locais e regionais do Reino Unido.
Na carta de demissão, Streeting afirma ter perdido a confiança na liderança de Starmer e que “é agora claro que não irá liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições legislativas”.
“Os deputados e os sindicatos trabalhistas querem que o debate sobre o que se segue seja uma batalha de ideias, não de personalidades ou de faccionalismo mesquinho”, lê-se no documento, que o agora ex-governante publicou na sua conta na rede social X.
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Streeting justifica a sua demissão com a vontade de que o Labour tenha uma disputa pela liderança com “o melhor leque possível de candidatos”, o que está a ser visto pela imprensa britânica como o agora ex-ministro não contar com o mínimo de 80 deputados necessários para forçar uma candidatura, e, simultaneamente, um apoio para que Andy Burnham, presidente da Câmara de Manchester, avance.
Sem sugerir um calendário para a eleição interna no partido, diz apenas: “não agora, mas razoavelmente em breve, depois de Burnham ter tido a oportunidade de disputar uma eleição intercalar”. O Partido Trabalhista precisa de oferecer “uma visão ousada e soluções mais abrangentes do que as que está a oferecer”, sublinha Streeting.
A demissão do ministro da Saúde acontece após quatro secretários de Estado resignarem aos respetivos cargos e cerca de 80 deputados trabalhistas pedirem publicamente a saída de Starmer, imediatamente ou numa data predefinida para permitir a escolha de um sucessor.
Os maus resultados nas eleições locais e regionais de 7 de maio desencadearam os ataques dos críticos de Starmer, mas a insatisfação já existia devido à nomeação do ex-ministro e ex-comissário europeu Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos e com outras medidas políticas.
Muitos deputados trabalhistas consideram que o Governo tem sido muito tímido no combate ao aumento do custo de vida, da desigualdade e da deterioração dos serviços públicos.
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