“Portugal oferece condições estratégicas únicas para os grandes players do setor” da Defesa

A primeira conferência anual do eRadar realiza-se esta quinta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, tendo como foco o setor de Defesa, Espaço, Aeronáutica e Cibersegurança.

“Portugal tem condições estratégicas para ser um hub fornecedor da base industrial portuguesa e europeia”, diz Nuno Pinheiro Torres, secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa NacionalJosé Carlos Carvalho/ECO

“No âmbito da defesa, Portugal oferece condições estratégicas únicas para os grandes players do setor. Somos porta de entrada para a Nato e para a União Europeia e também porta de saída para o mundo lusófono”, destaca Nuno Pinheiro Torres, secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa Nacional, na conferência do eRadar que decorreu esta quinta-feira no Centro Cultural de Belém.

“Em diversas ocasiões temos procurado captar investimentos diretos estrangeiros. Acreditamos que a presença destas âncoras facilita o acesso do tecido empresarial nacional e potencia a sua integração nas cadeias de valor e fornecimento globais“, referiu o secretário de Estado.

Temos custos de produção relativamente baixos e talento humano altamente qualificado. Estamos firmemente comprometidos com a fase europeia e, ao mesmo tempo, situamo-nos na ponta oposta do conflito”, referiu ainda Nuno Pinheiro Torres. “Portugal tem condições estratégicas para ser um hub fornecedor da base industrial portuguesa e europeia”, argumenta.

“Temos promovido a instalação no nosso território de linhas de produção e de centros de engenharia, investigação e desenvolvimento. Estamos já a aplicar esta lógica no contexto dos investimentos previstos ao abrigo do programa SAFE, do qual esperamos ver os frutos em breve“, destaca numa referência aos 5,8 mil milhões de euros garantidos por Portugal no âmbito deste programa de empréstimo europeu para reequipar as Forças Armadas.

Nuno Pinheiro Torres destaca os investimentos feitos na Europa no setor da Defesa e que, se estimam, continuam a crescer no próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia. “O próximo quadro da União Europeia será, ao que tudo indica, o mais relevante e o mais que mais vai beneficiar o setor da defesa”, realça.

“Ao longo de sete anos, a Comissão prevê financiar programas que aproveitam a defesa com valor global equivalente ao PIB português”, frisa o secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa NacionalJosé Carlos Carvalho/ECO

“A Comissão Europeia já sinalizou a intenção de propor cerca de 131 mil milhões de euros para defesa e espaço, um valor cinco vezes superior face ao atual”, afirma. “Os programas ligados à mobilidade militar viram as suas verbas reforçadas em dez vezes, atingindo mais de 17 mil milhões de euros”, destaca. “O programa Horizonte Europa deverá ser reforçado com a dotação de 175 mil milhões de euros”, refere ainda. Ou seja, “ao longo de sete anos, a Comissão prevê financiar programas que aproveitam a defesa com valor global equivalente ao PIB português”.

“Isto significa que, para dar as preocupações de segurança que a Europa tem hoje, a Comissão Europeia vê no setor da defesa a oportunidade de relançar a competitividade da sua base industrial”, diz.

Uma aposta em termos de investimento que Nuno Pinheiro Torres considera uma “oportunidade” para as empresas nacionais. “Saber que a defesa é uma área onde o investimento público, isto é, as aquisições, vão crescer, pelo menos nos próximos dez, 15, 20 anos, dá aos empresários a confiança necessária para apostar neste setor”, aponta.

“O reforço de recursos disponíveis para as áreas da defesa nacional constitui uma oportunidade que Portugal, Governo e empresas têm de ser capazes de agarrar”.

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