ARCO celebra dez anos em Lisboa com “foco ibérico” e vontade de manter “escala humana”

Lina Santos,

A ARCO Lisboa reúne 84 galerias portuguesas e estrangeiras, de 28 a 31 de maio na Cordoaria Nacional. A diretora define a feira como uma "mais uma instituição neste país, ainda que temporária".

Eram 45 galerias em 2016. São agora 84 galerias, oriundas de 18 países, em 2026, e há ambição de “crescer um pouco mais”. As contas e palavras são de Maribel López, diretora da ARCO, na apresentação da feira de arte, esta quinta-feira, no Pavilhão Julião Sarmento, em Lisboa. Faz dez anos que a ARCO se instalou em Portugal e a 9.ª edição decorre entre 28 e 31 de maio, na Cordoaria Nacional. Com “forte foco ibérico”, diz, e sete prémios de aquisição no programa.

Este ano, adianta Maribel López, a ARCO convidou cerca de 150 pessoas, entre aproximadamente 100 colecionadores e 50 profissionais, oriundos sobretudo de Espanha, Bélgica, França e Brasil, mas também Estados Unidos e Reino Unido. A feira espera ainda receber diretores de museus como o Reina Sofia e representantes de instituições europeias e africanas, que, além da ARCO, querem conhecer a vida cultural da cidade. Foi a pensar neles que, segundo a diretora, decidiram abrir a feira às 14h00 e não às 12h00 como acontecia até agora, “para que possam conhecer os museus, as galerias e as instituições da cidade antes da abertura dos stands“, diz.

– 470 artistas
– 84 galerias na ARCO Lisboa
– 61 galerias no programa geral
– 17 galerias na secção Opening Lisboa
– 6 projetos no Arquipélago de Histórias da Arte
– 18 países representados

Os 84 participantes, dos quais 61 integram o programa geral, estarão ‘espalhados’ pela Cordoaria Nacional. Os visitantes são recebidos na Living Room — uma instalação da autoria da artista Joana Astolfi, em colaboração com a Lisbon Design Week, que também acontece neste período. Mas não só. A feira é “emoldurada” pelos torreões da Cordoaria Nacional, com exposições das galerias municipais e do MAAT, conversas, apresentações e pela ArtLibris, uma feira dentro da feira, com 60 expositores de editoras, livrarias e revistas de arte.

  • Torreão Nascente
    Exposição Timescape, de Jorge Martins, e ArtLibris
  • Torreão Poente
    Três. As coleções da Fundação EDP

A ARCO Lisboa assume-se como “mais uma instituição neste país, ainda que temporária”, diz Maribel López. Em declarações ao ECO Avenida sublinhou o crescimento do ecossistema artístico português, com galerias que abriram nos últimos anos e outras que chegaram de fora para “acrescentar ao tecido nacional”. Destaca, na programação deste ano, a secção que dá a conhecer novas galerias e um novo projeto que pretende ser uma ponte entre técnicas antigas trazidas para a contemporaneidade.

  • Arquipélago de História de Arte, seis projetos que investigam “as linhagens e os saberes herdados na criação contemporânea”, com curadoria de Cosmin Costinas.
  • Opening, comissariada por Sofia Lanusse e Diogo Pinto, com assistência curatorial de Sofia Montanha, desafia galerias novas (ou que nunca estiveram na ARCO) a participar.

Este ano serão 17 as galerias novas. A secção funciona como uma porta de entrada para participantes que procuram entrar na feira. “A Opening Lisboa é muito importante porque permite trazer novos conteúdos à feira”, refere. “As galerias podem estar nessa secção durante dois anos. Depois, algumas conseguem passar para o programa geral, outras tentam, mas nem sempre há espaço”.

A arquiteta Sónia Taborda, que lidera a Dialogue, um projeto de curadoria que se converteu em galeria, está no seu segundo ano na secção Opening e defende, em declarações ao ECO, que as feiras de menor escala são cada vez mais valorizadas por colecionadores e galerias. “Há colecionadores internacionais que passam pela feira — este ano, por exemplo, teremos connosco um colecionador belga como convidado — e há outras feiras que percebem que estamos ativos. A partir daí, a galeria começa a fazer parte de uma conversa mais ampla”. E, tendo já participado na ARCO Madrid, vê Lisboa como uma feira boutique.

“Esta é uma feira muito humana”, defende Maribel López, rejeitando, para já, um crescimento que aproxime a ARCO Lisboa da escala da ARCO Madrid. Admite que a feira pode crescer “um pouco mais”, mas defende que o formato atual permite uma visita completa num só dia, sem sobrecarregar o público. “Quando se diz que a ARCO Lisboa é muito diferente da ARCO Madrid, isso é essencial para nós. Queremos que cada feira tenha a sua própria identidade. Não queremos que alguém vá à ARCO Madrid e à ARCO Lisboa e sinta que está no mesmo lugar”, garante.

Esta edição destaca-se também pelo aumento do número de prémios e aquisições, aponta a diretora da ARCO. Entre eles estão o prémio de melhor stand, atribuído pela Fundação Millennium bcp, o Prémio Opening, e os Prémio de Aquisição do MACAM, da Fundação Luso-Americana e da Fundação Vieira de Almeida. “No total, há sete prémios de aquisição”. Os compradores incluem também a própria Fundação ARCO, que investe 20 mil euros, e a Câmara Municipal de Lisboa, que adquire cerca de 20 obras por ano. Na apresentação, o presidente Carlos Moedas afirmou que a autarquia já adquiriu mais de 200 obras na ARCO Lisboa, hoje integradas no património municipal.

Carlos Moedas, cuja autarquia é uma das entidades parceiras da feira, defendeu que a ARCO Lisboa tem um impacto “muito grande” na afirmação da cidade como capital de arte contemporânea. “A ARCO tem sido esse sistema sanguíneo que tem constituído este eixo”, disse, referindo a ligação entre vários equipamentos culturais da cidade. Do MACAM ao MAAT, passando pelas galerias municipais e pelo recém-inaugurado pavilhão Julião Sarmento, em Belém.

A entrada é gratuita para jovens até aos 25 anos na sexta e no sábado, uma medida para “aproximar os mais jovens da arte contemporânea”, defendeu Maribel López.

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