Estado emprega mais de 767 mil trabalhadores, um novo recorde

No primeiro trimestre do ano, o número de funcionários públicos aumentou 1,1% em termos homólogos e subiu 0,6% face a 2025, atingindo 767.094. Ganho médio ultrapassa os 2.280 euros.

O número de funcionários públicos em Portugal voltou a atingir um máximo histórico no arranque de 2026. No final de março, o Estado tinha 767.094 postos de trabalho, mais 8.058 do que há um ano, à boleia do reforço das carreiras de técnico superior, Forças Armadas, docentes, enfermeiros e médicos, segundo a síntese estatística do emprego público divulgada esta sexta-feira pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).

Os dados revelam um crescimento homólogo de 1,1% no emprego público e um aumento trimestral de 0,6%, equivalente a mais 4.816 trabalhadores face ao final de 2025. Desde o início da série estatística, em dezembro de 2011, o emprego nas administrações públicas aumentou em 39.393 postos de trabalho, uma subida acumulada de 5,4%.

O crescimento do emprego foi sustentado sobretudo pela Administração Central e pela Administração Local. A Administração Central empregava, no final de março, 571.627 trabalhadores, mais 4.790 do que há um ano (+0,9%), enquanto a Administração Local registava 144.569 postos de trabalho, mais 3.708 do que no período homólogo (+2,6%). Já os fundos de Segurança Social e as Administrações Regionais apresentaram reduções de efetivos. Nos Açores, o emprego público caiu 0,2% em termos homólogos e, na Madeira, recuou 1%.

A síntese estatística destaca que o reforço do emprego público foi particularmente expressivo em carreiras qualificadas e nos setores da Saúde, Educação e Defesa. A carreira de técnico superior registou o maior aumento absoluto, com mais 3.033 trabalhadores num ano (+3,6%). Seguiram-se as Forças Armadas e forças de segurança, com mais 1.450 trabalhadores (+1,9%), os docentes do ensino básico e secundário (+1.744) e os profissionais de saúde, sobretudo enfermeiros (+1.483) e médicos (+658).

Na Administração Central, a área governativa da Saúde foi a que mais contribuiu para a subida do emprego público. O setor ganhou 3.533 postos de trabalho num ano, “principalmente de acréscimos nas carreiras de enfermagem (+889 postos de trabalho), assistente operacional (+769), na carreira médica (+677) e assistente técnico (+396)”, segundo a DGAEP.

Também a Educação, Ciência e Inovação reforçou significativamente os quadros, com mais 3.117 trabalhadores, sobretudo docentes do ensino básico e secundário (+1.298), assistentes operacionais (+959) e docentes universitários (+580).

Na Defesa Nacional, o aumento foi de 1.569 postos de trabalho, “em grande parte, nas carreiras das Forças Armadas, sobretudo praças e oficiais”, refere a DGAEP.

A Administração Local também continuou a crescer. Nos municípios, o aumento de emprego resultou sobretudo da contratação de técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais. Já nas freguesias, o principal contributo veio dos representantes do poder legislativo e executivo e dos assistentes operacionais.

Os dados mostram ainda que o emprego público continua fortemente concentrado na Administração Central, que representa 74,5% do total dos trabalhadores do Estado. A Administração Local acumula 18,8%, a Administração Regional 5,3% e os fundos de Segurança Social 1,3%.

Além do aumento do número de funcionários, a remuneração média dos trabalhadores do Estado também voltou a subir.

Ganho médio mensal sobe para 2.281,2 euros

Em janeiro de 2026, a remuneração base média mensal dos trabalhadores a tempo completo nas Administrações Públicas atingiu 1.912,3 euros, mais 5,7% do que no mesmo mês do ano passado e mais 1,4% face a outubro de 2025.

Já o ganho médio mensal – indicador que inclui suplementos remuneratórios, subsídios e horas extraordinárias – fixou-se em 2.281,2 euros, representando uma subida homóloga de 5,2% e um aumento trimestral de 1,1%.

A DGAEP explica que a evolução salarial resulta “da conjugação de vários fatores”, nomeadamente “a atualização do valor da retribuição mínima mensal garantida para 920 euros e do valor da base remuneratória da Administração Pública para 934,99 euros”, bem como “a aplicação das medidas de valorização remuneratória aprovadas para os trabalhadores em funções públicas”.

O relatório refere ainda que a composição das carreiras ajuda a explicar as diferenças salariais entre subsetores. Enquanto na Administração Local predominam carreiras menos remuneradas, como assistentes operacionais e assistentes técnicos, na Administração Central existe “uma maior variedade de carreiras com valores mais elevados de remunerações mensais”.

Na prática, isso traduz-se em diferenças expressivas nos salários médios. Na Administração Central, o ganho médio mensal atingiu 2.477,9 euros, enquanto na Administração Local ficou nos 1.538,8 euros. Nos Açores, o ganho médio mensal ascendeu a 2.386,5 euros e, na Madeira, a 2.330,9 euros.

A síntese estatística mostra ainda que as mulheres continuam a representar quase dois terços do emprego público. No final do primeiro trimestre, a taxa de feminização nas Administrações Públicas manteve-se em 62,9%, bastante acima da média da população ativa nacional (49,4%).

Os setores mais feminizados são os fundos de Segurança Social (82,2%) e as carreiras da Saúde, exceto médicos, onde as mulheres representam 83,6% dos trabalhadores, segundo a DGAEP.

O relatório revela ainda que o peso do emprego público continua relevante no mercado de trabalho nacional. No primeiro trimestre, os trabalhadores das Administrações Públicas representavam 13,6% da população ativa e 14,5% da população empregada em Portugal.

(Notícia atualizada às 18h47)

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