Filas no aeroporto de Lisboa. Companhias aéreas em Portugal querem suspensão do sistema
Associação que representa as transportadoras aéreas está a procurar junto da Comissão Europeia que seja suspenso o novo sistema de recolha de dados biométricos no controlo de passaportes.
As imagens de filas intermináveis no controlo de passaportes do Aeroporto de Lisboa continuam a chegar às redes sociais, mais de um mês depois do novo sistema de entrada e saída de passageiros (EES) no espaço Schengen se ter tornado obrigatório. A associação que representa as companhias aéreas em Portugal está, em conjunto com congéneres europeias, a sensibilizar Bruxelas para que suspenda a obrigatoriedade de recolha de dados biométricos, mantendo apenas o controle de passaportes.
“A situação piorou outra vez”, afirma Paulo Geisler, presidente da RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal, que relata “picos de mais de duas horas de espera, principalmente nas chegadas”.
“Há que haver, a nível europeu, mais flexibilidade para suspender o sistema. Estamos a tentar em Bruxelas, ao nível da RENA e com outras associações, para termos um alívio da situação“, partilha o responsável. O objetivo é interromper a recolha de dados biométricos até existirem condições para o EES funcionar com normalidade.
Os relatos de longas filas no controlo de passaportes continuam a surgir nas redes sociais. Nas partidas, chegam a invadir a zona comercial do Humberto Delgado.
Uma situação que Paulo Geisler atribui à complexidade do sistema, à falta de investimento atempado na ampliação da área de controlo de passaportes pela ANA e à escassez de pessoal no serviço de fronteiras, que está entretanto a ser reforçado. “Estamos a acompanhar a situação com preocupação porque estamos a chegar ao pico do verão”, sublinha o presidente da RENA.
A ANA está a concluir as obras de alargamento da zona de fronteira no Aeroporto Humberto Delgado, estando a inauguração prevista para dia 29 de maio, segundo avança esta sexta-feira o jornal Expresso. Para julho está previsto um reforço com mais 360 polícias, cuja formação teve início em outubro, noticia também o semanário.
A Ryanair também já apelou este mês ao Governo português para que suspenda o EES. “As autoridades portuguesas sabem há mais de três anos que o EES entraria plenamente em funcionamento a partir de 10 de abril de 2026, mas falharam em assegurar recursos humanos adequados, a preparação dos sistemas e a instalação e funcionamento dos quiosques necessários. Como resultado, os passageiros que viajam de/para Lisboa estão a enfrentar longas filas no controlo de passaportes e, em alguns casos, a perder os seus voos”, afirmou em comunicado.
“Estas filas excessivas no controlo de passaportes não podem prolongar-se durante a época alta do verão”, acrescenta a companhia low–cost. A pressão tem passado por uma campanha regular nas redes sociais, com publicações humorísticas.
O aeroporto de Lisboa não é caso único na Europa. Têm sido relatados problemas também em Madrid ou Milão. A Grécia optou mesmo por suspender a recolha de dados biométricos para os passageiros britânicos e em momentos de pico. O Governo português não foi o único a receber uma carta da Rynair – foram enviadas para os 29 países do EES.
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