Lucro da Semapa dispara para 513,3 milhões com mais-valia da venda da Secil

Sem o impacto da mais-valia provisória do negócio com a cimenteira, o resultado líquido do grupo seria de 31 milhões de euros, uma redução de 8,6 milhões em relação ao primeiro trimestre de 2025.

A Semapa teve lucros de 513,3 milhões de euros no primeiro trimestre, o que corresponde a um disparo em relação aos mesmos três meses do ano passado, quando lucrou 39,6 milhões de euros. A holding da família Queiroz Pereira viu o resultado líquido saltar devido às mais-valias com a venda da cimenteira Secil por 1,4 mil milhões de euros.

Expurgando o impacto da mais-valia provisória resultante da alienação da Secil, o resultado líquido atribuível a acionistas da Semapa seria de 31 milhões de euros (versus 39,6 milhões no período homólogo)”, explicou esta sexta-feira a dona da Navigator, no relatório financeiro publicado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Ou seja, o resultado líquido teria baixado 8,6 milhões de euros.

Quanto à faturação, caiu a dois dígitos comparativamente ao trimestre homólogo. O volume de negócios consolidado do grupo Semapa, entre janeiro e março, foi de 478,4 milhões de euros, representando uma queda de 14,1%. Neste período, foram gerados 426,8 milhões de euros pela Navigator (pasta e papel) e 51,8 milhões de euros pelo segmento de outros negócios.

Destacaram-se as exportações e vendas no exterior, que ascenderam a 409,8 milhões de euros e têm um peso de 85,6% do volume de negócios, em linha com os objetivos estratégicos do grupo com sede em Lisboa.

O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) contraiu 40,7% para 70,9 milhões de euros. O lucro operacional “foi impactado pela performance inferior à registada no período homólogo da Navigator (-43,9%) e do segmento de outros negócios (-4,9%)”.

“A Navigator mantém o foco na eficiência das suas operações, atuando de forma transversal na gestão dos custos fixos e variáveis, bem como no reforço da produtividade e da eficiência energética, assegurando, em simultâneo, a sustentabilidade operacional”, esclareceu a Semapa, no documento enviado ao mercado.

A alienação da Secil constitui um passo alinhado com a abordagem da Semapa de gestão ativa de portefólio de investimento e de criação de valor sustentável a longo prazo. Esta operação representa um movimento estratégico que vem assim reforçar a capacidade financeira e de investimento do grupo, e focar o seu portefólio em áreas prioritárias de crescimento dentro da estratégia delineada de diversificação de negócios;

Grupo Semapa

O negócio com a cimenteira, que ainda foi anunciado no final do ano passado, também apoiou na redução da dívida. A dívida líquida remunerada consolidada inverteu a anterior tendência para cash positive e atingiu -36,7 milhões de euros, inferior em 1.042,8 milhões de euros relativamente ao final de 2025 devido ao encaixe financeiro.

Em relação ao investimento, o grupo Semapa contabilizou 102,9 milhões de euros investidos, incluindo 27,6 milhões no braço de capital de risco e inovação Semapa Next, através do qual reforçou o investimento na startup austro-alemã Gropyus – que comercializa soluções modulares de construção – e fez dois novos investimentos, nas empresas CarbonRe e na Sybilion, que trabalham com modelos de inteligência artificial.

O capex incluiu também aproximadamente 66,4 milhões de euros em ativos fixos, dos quais 42,4 milhões para a Navigator (matérias ambientais ou de cariz sustentável) e 25 milhões de euros da Secil.

Na bolsa de Lisboa, as ações da Semapa encerraram as últimas negociações da semana com uma desvalorização de 0,43% para 23 euros cada, em linha com o sentimento pessimista do PSI e das restantes praças europeias e norte-americanas.

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