Receitas da Brisa superam 1,2 mil milhões em 2025. Grupo investiu mais de 100 milhões na manutenção da rede
Grupo da concessionária de autoestradas aumentou o investimento em quase 26%. Lucro baixou para 173,4 milhões devido a um aumento das amortizações e provisões associado a efeitos contabilísticos.
Pelo terceiro ano consecutivo, em 2025, o Grupo Brisa manteve um volume de faturação acima dos mil milhões de euros. O grupo da concessionária de autoestradas fechou o ano com receitas de 1.231,6 milhões de euros, um aumento de 13% face ao valor apresentado no ano anterior, revela o relatório integrado da empresa, divulgado esta sexta-feira. A Brisa investiu mais de 100 milhões na manutenção e melhoria de infraestruturas.
O grupo que detém a concessão da A1, entre outras autoestradas, registou um resultado líquido de 173,4 milhões de euros, o que representa uma quebra de 44% face a 2024. Este resultado ocorre num ano em que a rubrica de amortizações e provisões, líquida de reversões, totalizou 389,1 milhões de euros, mais do dobro registado no ano anterior.
“Este crescimento expressivo foi fortemente influenciado pelos efeitos contabilísticos da fusão por incorporação da Rubicone BidCo, sociedade que detinha 100% do capital da Brisa“, explica o grupo.
Segundo o mesmo comunicado, a “operação, concluída com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2025, reforçou significativamente a capacidade financeira do Grupo Brisa para avançar com o plano estratégico Vision28 e disputar novas concessões internacionais”.
Já o EBITDA aumentou 43,5 milhões de euros, ou 5,3%, para 860,9 milhões, revela a empresa. Quanto ao investimento, o grupo investiu um total de 109 milhões de euros na rede, em 2025, mais 25,9% que os 83,2 milhões no ano anterior.
Deste montante, 45,7 milhões foram destinados para intervenções na Brisa Concessão Rodoviária, “incluindo pavimentações em vários troços de autoestrada e ações de reabilitação em diversas obras de arte, garantindo a manutenção e melhoria contínua da infraestrutura“.
“2025 foi um ano de conquistas muito significativas, impulsionadas pelo contributo de todas as unidades de negócio“, sintetiza o CEO António Pires de Lima, citado no comunicado.
“No principal negócio do Grupo Brisa, as autoestradas, a evolução do tráfego em 2025, manteve uma trajetória de crescimento, ainda que a um ritmo mais moderado comparando com o ano anterior: a Brisa Concessão Rodoviária (BCR) registou um aumento de 3,7% no tráfego médio diário e a Brisal um aumento de 5,9% face ao período homólogo”, realça.
O grupo integra ainda a Colibri, a marca das estações de serviço, a A-to-Be, que se dedica ao desenvolvimento e implementação de soluções tecnológicas para serviços de mobilidade, a Via Verde e o Grupo Controlauto, que no ano passado concluiu a fusão com a Globaltest.
Nas áreas de serviço, a Brisa chegou a 12 milhões de clientes em 2025 e geria 21 áreas de serviço, das quais 18 incluíam espaços de restauração e cafetaria.
Já o A-to-Be “elegeu os EUA como mercado prioritário devido ao seu peso global e ao investimento em infraestruturas rodoviárias e cobrança eletrónica de portagens”. Desde 2015, com a criação da A-to-Be USA, LLC, a empresa implementou as suas soluções em 17 clientes de 11 Estados, consolidando-se como referência no setor americano, diz o comunicado.
A Via Verde registou um crescimento de 3% do número de clientes, para 3,4 milhões, tendo ainda registado 451 mil novas adesões. Quanto às transações, a empresa reconhece que teve uma diminuição global de 9% no número de transações face a 2024, devido à isenção de portagens nas antigas SCUTS.
Pires de Lima destacou ainda a reação do grupo ao abatimento de um troço da A1, na zona de Coimbra, que aconteceu em fevereiro deste ano e cujas obras foram assumidas pela empresa e tiveram um custo para o grupo acima de três milhões.
“Ainda que seja um facto já relativo a fevereiro de 2026, parece-me oportuno terminar esta mensagem com uma referência específica de agradecimento às nossas equipas – dirigentes, quadros, trabalhadoras e trabalhadores –, em como aos nossos parceiros fornecedores, pela forma extraordinária como responderam ao desafio de repor as normais condições de funcionamento da A1”, realçou o CEO da Brisa.
Pires de Lima lembrou que a reparação do troço mobilizou “mais de nove mil toneladas de material, cerca de 70 profissionais no terreno diariamente e mais de 50 equipamentos, incluindo 35 camiões que percorreram 80 mil km, consequência da rotura do dique de Mondego a 11 de fevereiro e que, contra todas as expectativas iniciais, ficou em funcionamento pleno a 27 de fevereiro“.
“Apesar dos desafios exigentes do ano de 2025, o Grupo Brisa demonstrou uma vez mais, a sua resiliência, capacidade de execução e espírito de equipa”, concluiu o líder do grupo de autoestradas.
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