Tempestades. Proprietários florestais têm até 2,5 milhões por empresa para remover árvores e limpar terrenos
Governo anuncia linha de financiamento de até 2,5 milhões de euros por empresa do setor florestal para acelerar remoção de árvores caídas e limpeza de terrenos face ao risco de incêndios no verão.
O Governo, juntamente com o Banco Português de Fomento (BPF), anunciou esta sexta-feira uma linha de crédito de até 2,5 milhões de euros por empresa destinada aos proprietários florestais, na sequência dos danos provocados pelo “comboio” de tempestades que assolou o país no início do ano.
O financiamento, segundo um comunicado conjunto dos ministérios da Economia e Coesão Territorial e da Agricultura e do Mar, tem por objetivo acelerar o processo de remoção de material lenhoso e a limpeza de terrenos para prevenir maiores riscos de incêndio, tendo em conta a aproximação dos meses de verão.
“Esta medida visa reforçar a liquidez das empresas, permitindo fazer face a necessidades imediatas de tesouraria e assegurar a continuidade da remoção de material lenhoso nas zonas impactadas pela tempestade Kristin“, lê-se na nota enviada esta sexta-feira às redações.
De acordo com o Executivo, os apoios podem chegar até 2,5 milhões de euros por empresa, “com condições competitivas, enquadradas no modelo de garantias públicas do BPF, contribuindo para uma resposta célere e ajustada às necessidades do tecido empresarial”.
O acesso à linha de crédito tem âmbito nacional e visa garantir que todas as empresas do setor florestal possam aceder a este instrumento independentemente da sua localização, para aquisição e remoção de material lenhoso nas áreas afetadas.
“Com o aproximar da época de incêndios, há toda a urgência em remover as árvores caídas e limpar os terrenos. Esta linha visa precisamente acelerar este processo de forma que estes territórios tão massacrados pelas tempestades não sejam ainda mais penalizados”, afirma o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, citado no comunicado.
Para o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, “esta é mais uma iniciativa para reforçar o compromisso do Governo com a recuperação, a resiliência e a valorização do setor florestal, assegurando uma melhor capacidade de resposta na prevenção de incêndios e de riscos de saúde vegetal”.
Em meados de março, quando visitava Pombal, um dos concelhos mais afetados pelas tempestades, o ministro José Manuel Fernandes anunciou que os proprietários florestais afetados pela depressão Kristin iriam dispor de apoios no valor total de 40 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para removeram as árvores caídas e limparem os terrenos.
O titular da pasta da Agricultura falou então num incentivo na ordem dos mil euros por hectare para os proprietários retirarem a madeira e depois limparem os terrenos “para não deixarem material combustível”. O objetivo era limpar, até ao final do ano, as zonas críticas, estimadas em 30 mil hectares, segundo explicou na altura.
A 28 de março, estavam registadas seis mil intenções de privados para remoção de material lenhoso e para intervenções nas áreas prioritárias para prevenir incêndios na plataforma criada para o efeito do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), segundo a agência Lusa.
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