Da “diluição” ao “não somos uma muleta”, relação com PSD agita congresso do CDS-PP

  • ECO e Lusa
  • 16 Maio 2026

"Nenhum de nós aceita trocar o CDS por uma fusão ou por uma diluição noutro partido", diz presidente da mesa do congresso. Líder diz que "conversa da diluição" é "profundamente injusta".

A parceria do CDS-PP com o PSD na Aliança Democrática está a dominar o congresso do partido que se realiza este sábado e domingo em Alcobaça. O presidente da mesa, José Manuel Rodrigues, alerta para o risco de uma “fusão ou diluição”. “Nós não somos uma muleta”, responde o líder, Nuno Melo.

José Manuel Rodrigues afirmou na abertura dos trabalhos do 32.º Congresso do CDS que o partido deve afirmar as suas diferenças face ao PSD, parceiro de coligação, e ganhar “autonomia política e estratégica.

Julgo que estamos todos aqui para reafirmar a confiança nas coligações que assinámos, mas nenhum de nós aceita trocar o CDS por uma fusão ou por uma diluição noutro partido.

José Manuel Rodrigues

Presidente da mesa do congresso do CDS

“Julgo que estamos todos aqui para reafirmar a confiança nas coligações que assinámos, mas nenhum de nós aceita trocar o CDS por uma fusão ou por uma diluição noutro partido. O CDS tem o seu espaço próprio, tem uma ideologia, uma doutrina, princípios e valores que mais ninguém defende e é por isso que temos um futuro pela frente”, defendeu o dirigente.

O líder do CDS/Madeira considerou que o partido tem de “substituir o conformismo pela ambição” e seguir “um caminho próprio, independentemente de quem segue ao [seu] lado”.

Nuno Melo considerou falsa e “profundamente injusta” a “conversa da diluição” na coligação com o PSD, rejeitando que o partido seja muleta.

Na apresentação da sua moção de estratégia global ao 32.º Congresso do CDS, intitulada “Tempo de futuro”, o líder, e recandidato à liderança dos centristas, afirmou que o PS só saiu da governação “porque o PSD e o CDS deram as mãos através da AD” e defendeu que o seu partido fez a diferença para o resultado eleitoral.

Essa conversa da diluição não é só falsa, eu sinceramente considero-a profundamente injusta para quem todos os dias dá tudo de si para afirmar o CDS num contexto que é difícil.

Nuno Melo

Presidente do CDS-PP

“A diferença foi de pouco mais de 30 mil votos e sabemos que o CDS no seu pior momento teve resultados próximos de 100 mil votos, então nós sabemos que de facto o CDS foi uma parte relevante desta equação, foi por causa do CDS também que o poder político passou dos socialismos para o espaço político de centro-direita”, sustentou. “Isto não foi por favor e nós não somos muleta”, salientou.

Nuno Melo rejeitou transformar o PSD num adversário. “Essa conversa da diluição não é só falsa, eu sinceramente considero-a profundamente injusta para quem todos os dias dá tudo de si para afirmar o CDS num contexto que é difícil”, defendeu.

O líder do CDS-PP garantiu igualmente que o “CDS não tem medo de ir a votos, o CDS nunca teve medo de ir a votos” e referiu que ele próprio já se apresentou a eleições “muitas vezes sozinho”.

Em sintonia com o líder do partido, também o líder parlamentar do CDS recusou a ideia de “fusão ou diluição” com outros partidos. Na perspetiva de Paulo Núncio, o futuro do partido “passa pela afirmação da autenticidade e da individualidade”. “A afirmação do CDS passa pelo reformismo. E o reformismo da AD é o reformismo do CDS. As reformas da AD são reformas CDS”, defendeu.

O candidato à liderança do CDS-PP Nuno Correia da Silva defendeu que o partido tem que ganhar dimensão e estar na coligação [com o PSD], ativamente, com projetos e índole reformista e não a “partilhar votos”.

Acho que o partido pode ser muito mais, tem que recuperar as bandeiras que já teve e aquelas que o futuro nos exige, nomeadamente ser o partido dos contribuintes, o partido da família, o partido dos pensionistas, um partido com causas e um partido com valores.

Nuno Correia da Silva

Candidato à liderança do CDS-PP

“Acho que o partido pode ser muito mais, tem que recuperar as bandeiras que já teve e aquelas que o futuro nos exige, nomeadamente ser o partido dos contribuintes, o partido da família, o partido dos pensionistas, um partido com causas e um partido com valores”, disse Nuno Correia da Silva à chegada ao congresso.

Nuno Correia da Silva defendeu ainda que o CDS deverá “analisar”, em véspera de eleições, se deverá ou não concorrer em coligação e decidir “o que for melhor para o país”.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Da “diluição” ao “não somos uma muleta”, relação com PSD agita congresso do CDS-PP

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião