Starmer sob pressão. Saiba quem são os candidatos que podem disputar a liderança

Depois da derrota nas eleições locais, Keir Starmer enfrenta a maior ameaça à sua liderança desde que chegou a Downing Street.

Depois do desastroso resultado do Partido Trabalhista nas eleições locais inglesas da semana passada, a sobrevivência política do primeiro-ministro britânico está em risco e a corrida a aquecer. Depois de Andy Burnham se posicionar, este sábado foi Wes Streeting, ex-membro do Governo, a anunciar que será candidato.

Wes Streeting, que foi ministro da Saúde até à poucos dias, anunciou este sábado numa conferência organizada pelo think tank Progress, ligado a apoiantes do partido, que irá entrar na corrida à liderança dos Trabalhistas e ao cargo de primeiro-ministro, caso o processo seja desencadeado.

“Precisamos de uma verdadeira disputa, com os melhores candidatos em campo, e eu serei um deles”, afirmou Streeting, que considerou que o Partido Trabalhista “chegou ao Governo mal preparado em demasiadas áreas e sem clareza de visão e de rumo”. “Precisamos de uma verdadeira disputa, em que todos os candidatos possam dar o melhor de si. Tem de ser uma batalha de ideias, para que quem vença saia mais forte desse processo”, afirmou o ex-membro do Governo de Keir Starmer, citado pelo jornal The Guardian.

Wes Streeting, ex-ministro da Saúde do Governo de Keir Starmer

Streeting, de 43 anos, pertence à ala mais centrista do Partido Trabalhista. Enquanto ministro da saúde, defendeu um maior envolvimento do setor privado no serviço nacional de saúde ou o uso da inteligência artificial nos serviços públicos. É também um defensor de uma maior proximidade com a União Europeia. Este sábado, disse mesmo que o Reino Unido deve voltar a juntar-se ao bloco.

O mais popular candidato ao lugar de Keir Starmer é Andy Burnham, embora enfrente uma dificuldade formal para lá chegar. O presidente da câmara da Grande Manchester desde 2017, conhecido como “Rei do Norte”, já assumiu a vontade de voltar ao Parlamento britânico, condição necessária para desafiar o atual líder. Para isso, Josh Simons demitiu-se do lugar em Westminster forçando uma eleição para a sua substituição. “Posso confirmar que irei requerer permissão ao Comité Executivo Nacional para concorrer”, afirmou Burnham na quinta-feira.

Burnham, que foi ministro nos governos trabalhistas de Gordon Brown, é visto como estando à esquerda de Starmer e Streeting. O próprio apelida a sua filosofia política de ‘Manchesterism’, defendendo um maior peso do Estado nos serviços públicos, que passou por colocar o transporte em autocarros da cidade sob controlo da autarquia. Defende também um aumento da despesa em habitação social ou rever a constituição para acabar com a Câmara dos Lordes. O seu desdém em relação à influência dos investidores que detêm obrigações do Tesouro britânico tem levado a perdas nos títulos, perante a possibilidade de vir a chegar à liderança.

Andy Burnham, presidente da câmara da Grande Manchester, conhecido como o “Rei do Norte”.

Pelas regras do Partido Trabalhista, uma eleição para a liderança é desencadeada se o líder se demitir ou se um candidato reunir o apoio de 20% dos deputados trabalhistas. No atual grupo parlamentar, isso equivale a 81 deputados. O líder em funções entra automaticamente no boletim de voto se houver desafio formal, o que significa que a queda de Keir Starmer não é automática.

Para Burnham voltar ao Parlamento terá de vencer a eleição em Makerfiel, Manchester, e conquistar o lugar deixado vago pela saída de Josh Simons. O que não é garantido, já que o Reform UK, de Nigel Farage, tentará ficar com o mandato.

A corrida ao lugar de Starmer poderá não se resumir a estes dois candidatos. Angela Rayner, antiga vice-primeira-ministra, é apontada como uma potencial concorrente. Saiu do Governo em 2025 devido a uma investigação por alegada fraude fiscal na aquisição de um imóvel, mas foi recentemente ilibada, acordando pagar o montante reclamado pelo Fisco.

epa12731342 Labour MP for Ashton-under-Lyne Angela Rayner speaks at the Night Time Economy Summit in Liverpool, Britain, 12 February 2026. EPA/ADAM VAUGHAN

Tem um percurso político forte. De origem operária, foi representante sindical e é popular junto da base militante do Partido Trabalhista. Já depois de sair do Governo tem defendido uma linha mais favorável aos direitos laborais, menos dura em cortes sociais e mais crítica de algumas políticas migratórias do Governo.

“Eu disse que assumiria o meu papel em concretizar a mudança plasmada no manifesto [eleitoral] que assumi como vice-presidente do partido. Os resultados a 7 de maio (eleições locais em Inglaterra) mostraram que as pessoas estão impacientes por essa mudança. O Governo cometeu alguns erros e as pessoas não viram o que prometemos no manifesto”, afirmou Rayner em entrevista ao The Guardian na quinta-feira.

Ao contrário de Burnham e Streeting, ainda não declarou a vontade em disputar a liderança dos trabalhistas.

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