Quem são os cinco filhos de Bernard Arnault que lhe podem suceder na LVMH
O grupo está a mudar e os investidores fazem perguntas: quem sucederá a Bernard Arnault, o homem que fundou LVMH e o tornou no maior grupo de luxo do mundo. Um a um, o perfil dos herdeiros.
Leonor Gonçalves/ECO
A LVMH tem desde esta sexta-feira menos uma marca no seu portefólio, a Marc Jacobs, depois de ter acordado vendê-la ao consórcio WHP Global/G-III. E ainda se esperam desenvolvimentos sobre a venda da participação de 50% na marca de beleza Fenty Beauty e na marca de vinhos Joseph Phelps Vineyards. No espaço de pouco mais de um ano, vendeu também a participação na Stella McCartney e a Off-White. O exercício de 2025 mostrou uma quebra nas receitas face a 2024 e um grupo de investidores fez a pergunta publicamente: qual é o plano de sucessão? Bernard Arnault ignorou-os.
Porém, com a apresentação dos resultados do 1.º trimestre do ano, e uma quebra de 6% nas receitas, o fundador e chairman da LVMH deu sinais de saber que um dia – mais cedo do que tarde – terá de passar a pasta. Embora tenha remetido a conversa para dentro de sete ou oito anos, na última assembleia geral da LVMH cedeu a palavra aos cinco filhos. Um a um, eles subiram ao palco e falaram sobre as divisões que lideram.
Jean falou dos relógios da Louis Vuitton e da La Fabrique du Temps. Frédéric apresentou a Loro Piana. Alexandre abordou a divisão de vinhos e espirituosos; Delphine fez o ponto de situação da Dior. Antoine encerrou com a comunicação, a imagem e a sustentabilidade do grupo. Foi a primeira vez que o quinteto foi apresentado assim aos acionistas da LVMH.
O gesto é novo, mas calculado e revelador, já que o mesmo Arnault, o homem mais rico de França, disse que só queria falar sobre o tema dentro de “sete ou oito anos”. Não resolve a sucessão, mas mostrou quem são, o que fazem e porque é que cada um já conta para o futuro do maior grupo de luxo do mundo. Oficialmente, a decisão de o fazer foi tomada naquela manhã, 23 de abril, mas acontece pouco depois de o Nouvel Obs publicar uma investigação que diz existir uma guerra de clãs entre os irmãos — os dos primeiros e os do segundo casamento — pelo lugar do pai. Soou como o início de uma conversa sobre o futuro, depois de, há pouco mais de um ano, os acionistas da LVMH terem aprovado a extensão do limite de idade para Bernard Arnault permanecer como chairman e CEO até aos 85 anos e de, já no início deste ano, entidades ligadas à família Arnault terem passado a controlar 50,01% do capital da LVMH, segundo uma declaração ao regulador francês noticiada pela Reuters.
A pergunta que todos fazem é: quem pode suceder a Bernard Arnault? A imprensa francesa diz que o bilionário, de 77 anos, distribui poder e exposição entre os filhos, testando-os à frente das várias maisons do grupo, e nas várias áreas (moda, relógios, vinhos). Todos os meses, o pai organiza um almoço com os cinco filhos, como um conselho de administração, diz o jornal La Lettre. A apresentação aos acionistas, por divisões, serviu para mostrar quem lidera o quê. Deixa também a ideia de que, se depender de Arnault, será entre os cinco filhos que sairá o sucessor, repetindo a ideia que o próprio deixou na apresentação de resultados anuais: “Este é um grupo familiar”. E estes são os herdeiros:
Delphine Arnault
- Se a sucessão fosse dinástica e a lei sálica não existisse, Delphine Arnault, de 51 anos, seria a herdeira do grupo LVMH. É a mais velha dos cinco filhos, filha do primeiro casamento de Arnault e lidera a Christian Dior Couture desde fevereiro de 2023.
- É considerada a candidata com mais densidade institucional e já está em lugares chave da organização, como o conselho de administração e o comité executivo da LVMH. É a herdeira com o currículo mais próximo do coração operacional do grupo, a moda, o segmento com maior peso económico dentro do grupo.
- Antes de chegar à Dior, Delphine Arnault passou uma década na Louis Vuitton. Supervisionou atividades ligadas ao produto, um cargo central numa casa que vive de desejo e da execução.
- Na assembleia geral, falou da Dior e da tentativa de relançar a marca sob uma nova direção criativa, a de Jonathan Anderson.
Antoine Arnault
- Depois do pai, Antoine Arnault, 48 anos, é quem mais fala sobre o grupo. Dirige imagem, comunicação e ambiente desde 2020. Tornou-se em fevereiro de 2026 membro do comité executivo e soma ainda cargos relevantes fora da estrutura operacional pura, como CEO e vice-chairman da Christian Dior SE e chairman do conselho de supervisão da Berluti. Também é fruto do primeiro casamento de Bernard Arnault, com Anne Dewavrin.
- Foi o criador das Journées Particulières, um instrumento para transformar artesanato, património e bastidores em capital reputacional. Antoine Arnault ocupa-se da máquina de influência do grupo: narrativa, prestígio, relações institucionais. Está no grupo como um estratega da marca global e não como gestor de uma maison, embora já o tenha feito no passado. Esteve na Berluti e na Loro Piana, logo após a sua aquisição pela LVMH.
- Em 2024, adquiriu parte do clube francês de futebol Paris FC.
Alexandre Arnault
- Alexandre Arnault, 34 anos, é o filho mais velho de Bernard e da segunda mulher, a pianista Hélène Mercier. Tem neste momento a tarefa mais dura dentro do grupo LVMH. É, desde fevereiro de 2025, deputy CEO da Moët Hennessy, a divisão de bebidas do grupo, ao lado de Jean-Jacques Guiony. É um dos negócios mais desafiantes do grupo atualmente, enfrentando a desaceleração do consumo de conhaque e de bebidas alcoólicas, em geral.
- Na assembleia geral, falou sobre o potencial de África para a Hennessy e ignorou os desafios que enfrentam a viticultura (entre eles, as alterações climáticas). Se conseguir dar a volta aos números será um sério candidato à liderança.
- Como gestor de maisons, passou pela Rimowa e Tiffany.
Frédéric Arnault
- Frédéric Arnault, 30 anos, é o quarto filho de Bernard Arnault. Passou pela TAG Heuer e pela liderança da LVMH Watches antes de se tornar CEO da Loro Piana, em junho de 2025, um passo importante dentro da estrutura do grupo LVMH.
- Na assembleia geral explicou o sucesso da Loro Piana e o momento em que a marca italiana atravessou um problema de supervisão judicial em Itália ligado à cadeia de fornecedores. Tudo indica que, com este percurso, está a ser posto à prova em cargos mais ligados à gestão e ao controlo do grupo.
Jean Arnault
- Jean Arnault, o mais novo dos filhos de Bernard Arnault, tem 28 anos. É diretor da divisão de relógios. Está no grupo há cinco anos e nesse período apostou na relojoaria independente e ajudou a dar corpo à La Fabrique du Temps.
- O CEO da divisão de relógios, Jean-Christophe Babin, classificou-o como “a pessoa perfeita” para um dia assumir a divisão de relógios da LVMH. Para já, ainda não está no conselho nem no comité executivo da LVMH.
A LVMH apresentou receitas de 80,8 mil milhões de euros e lucros de 17,8 mil milhões no exercício de 2025. Fundada em 1987 da junção da Louis Vuitton e da Moët Hennessy, é hoje uma das maiores empresas francesas em valor de mercado. Tinha 10 maisons no momento da fundação, hoje congrega 75. Entre elas, a Dior, Givenchy e Loewe. Desde 2000, a LVMH realizou 206 aquisições e vendeu 122 ativos, de acordo com dados da Dealogic citados pelo Financial Times. Entre as maiores operações estão as aquisições da Tiffany por 16 mil milhões de dólares em 2020 e a da Bvlgari por 3,7 mil milhões de euros em 2011. Foi um dos maiores patrocinadores dos jogos olímpicos de Paris, em 2024, e é, pela segunda temporada, um dos mais importantes patrocinados do campeonato de F1.
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